Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021
Homem, 64 anos, com antecedentes de hipertensão arterial e infarto do miocárdio sem supradesnivelamento de ST há dois anos, tratado, à época, com angioplastia com stent farmacológico da coronária direita. Pratica atividade física regular aeróbica intensa, quatro vezes na semana, sem limitação e sem sintomas cardiovasculares. Atualmente faz uso regular de AAS 100 mg/dia, valsartana 160 mg/dia, metoprolol 50 mg/dia e rosuvastatina 20 mg/dia. Agenda consulta para avaliação pré-operatória de herniorrafia inguinal. Exame físico: PA = 120 x 70 mmHg; FC = 64 bpm e restante do exame clínico normal. Hemograma, coagulograma, função renal, eletrólitos e glicemia normais. O eletrocardiograma de repouso está ilustrado a seguir. Assinale a alternativa correta em relação ao cuidado pré-operatório deste paciente.
Paciente com IAM prévio, boa capacidade funcional e cirurgia de baixo risco → manter medicações e sem exames adicionais.
Em pacientes com doença cardíaca estável, boa capacidade funcional e submetidos a cirurgia de baixo risco (como herniorrafia), a avaliação pré-operatória não exige exames adicionais. A manutenção de medicações como beta-bloqueadores e estatinas é geralmente recomendada.
A avaliação pré-operatória de pacientes com doença cardiovascular é fundamental para otimizar o risco cirúrgico. A estratificação de risco deve considerar a capacidade funcional do paciente, o tipo de cirurgia e a presença de comorbidades. Pacientes com boa capacidade funcional (metabolic equivalents > 4) e sem sintomas cardíacos recentes geralmente apresentam baixo risco para cirurgias não cardíacas. Para cirurgias de baixo risco (como herniorrafia inguinal), em pacientes com doença cardíaca estável e boa capacidade funcional, as diretrizes atuais não recomendam a realização de exames cardíacos adicionais, como teste ergométrico ou angiotomografia. O foco deve ser na otimização das condições clínicas e na manutenção das medicações essenciais. A manutenção de medicações como beta-bloqueadores, estatinas e inibidores da ECA/BRA é geralmente recomendada no período perioperatório. A decisão sobre o AAS deve ser individualizada, considerando o risco de trombose de stent versus o risco de sangramento cirúrgico, especialmente em pacientes com stent farmacológico recente.
Exames adicionais são indicados para pacientes com baixa capacidade funcional, sintomas cardíacos recentes, ou para cirurgias de alto risco, especialmente se houver necessidade de revascularização antes da cirurgia.
Para pacientes com stent farmacológico, a suspensão do AAS deve ser cuidadosamente avaliada. Se o stent foi implantado há menos de 1 ano, a manutenção do AAS é geralmente preferível devido ao alto risco de trombose de stent. Para cirurgias de baixo risco e stents mais antigos, a decisão é individualizada.
A manutenção de beta-bloqueadores em pacientes que já os utilizam cronicamente é importante para evitar taquicardia de rebote e controlar a isquemia miocárdica, reduzindo eventos cardíacos perioperatórios.
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