Avaliação Pré-operatória: Indicação de Espirometria e Riscos

UFSC/HU - Hospital Universitário Prof. Polydoro Ernani de São Thiago (SC) — Prova 2023

Enunciado

Em relação à avaliação pré-operatória, pode-se afirmar que:

Alternativas

  1. A) O objetivo da avaliação pré-operatória é vasculhar minuciosamente a história do paciente em busca de doenças não diagnosticadas.
  2. B) Um paciente com doenças graves que limita suas atividades, mas não o deixa incapacitado, é classificado pela Sociedade Americana de Anestesia como ASA II.
  3. C) Espirometria deve ser considerada na avaliação de pacientes com mais de 60 anos a serem submetidos a cirurgia de grande porte em andar superior do abdome.
  4. D) O uso de esteroides para tratamento de pacientes asmáticos no período pré-operatório não reduz as complicações pulmonares.
  5. E) A taxa de mortalidade perioperatória aumenta significativamente em pacientes com obesidade clinicamente grave e comorbidades, mas não é significativamente maior em pacientes com IMC entre 35-40.

Pérola Clínica

Espirometria pré-operatória é útil em >60 anos para cirurgia abdominal superior de grande porte, avaliando risco pulmonar.

Resumo-Chave

A espirometria pré-operatória não é rotina, mas deve ser considerada em pacientes com mais de 60 anos submetidos a cirurgias de grande porte no andar superior do abdome, devido ao alto risco de complicações pulmonares pós-operatórias. A avaliação da função pulmonar pode auxiliar na estratificação de risco e na implementação de medidas preventivas.

Contexto Educacional

A avaliação pré-operatória é um processo fundamental para otimizar o estado de saúde do paciente antes de um procedimento cirúrgico, visando reduzir a morbidade e mortalidade perioperatória. Seu objetivo não é apenas diagnosticar doenças ocultas, mas sim estratificar o risco, planejar o manejo anestésico-cirúrgico e implementar intervenções para melhorar os resultados. A classificação ASA (American Society of Anesthesiologists) é uma ferramenta importante para estimar o risco global. A avaliação pulmonar é crucial, especialmente para cirurgias de grande porte. Embora a espirometria não seja um exame de rotina, ela é indicada em pacientes com doença pulmonar conhecida, sintomas respiratórios inexplicados, ou em situações de alto risco, como pacientes com mais de 60 anos submetidos a cirurgias de grande porte no andar superior do abdome, onde o risco de complicações pulmonares pós-operatórias é elevado devido à dor, restrição diafragmática e alterações da mecânica ventilatória. O manejo de condições como asma e DPOC no período perioperatório é vital. O uso de esteroides em pacientes asmáticos, quando indicado para controle da doença, pode reduzir as complicações pulmonares. A obesidade clinicamente grave (IMC > 40 kg/m²) com comorbidades aumenta significativamente a mortalidade perioperatória, mas o risco também é elevado em pacientes com IMC entre 35-40 kg/m² com comorbidades, exigindo atenção especial.

Perguntas Frequentes

Qual o objetivo principal da avaliação pré-operatória?

O objetivo principal é otimizar as condições clínicas do paciente para a cirurgia, identificar e mitigar riscos, e planejar o manejo perioperatório, não apenas vasculhar doenças não diagnosticadas. Visa garantir a segurança e o melhor desfecho possível.

Em quais pacientes a espirometria pré-operatória é recomendada?

A espirometria é recomendada em pacientes com doença pulmonar conhecida (DPOC, asma grave), sintomas respiratórios inexplicados, ou para cirurgias de alto risco pulmonar, como cirurgias torácicas ou abdominais superiores em idosos, para avaliar a função pulmonar basal.

Quais são os principais fatores de risco para complicações pulmonares pós-operatórias?

Fatores de risco incluem idade avançada, tabagismo, DPOC, asma não controlada, obesidade, cirurgia abdominal superior ou torácica, anestesia geral prolongada e classificação ASA elevada. A identificação desses fatores permite a implementação de estratégias preventivas.

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