Avaliação Perioperatória: Exames e Riscos em Cirurgia

HAC - Hospital Angelina Caron (PR) — Prova 2020

Enunciado

Na avaliação perioperatória de cirurgia não cardíaca, assinale a opção INCORRETA:

Alternativas

  1. A) Estenose aórtica grave é considerado um fator de risco alto em cirurgias não cardíacas
  2. B) A solicitação de exames básicos pré-operatórios (Eletrocardiograma − ECG, raio X de tórax e exames laboratoriais) está relacionada à redução e à predição de complicações perioperatórias e deve fazer parte da rotina pré-operatória em pacientes < 40 anos, assintomáticos.
  3. C) Pacientes com baixa capacidade funcional apresentam maior chance de complicações perioperatórias. Eles podem ter seus sintomas subestimados em virtude da sua limitação o que poder considerado na decisão de solicitação de exames complementares, como, por exemplo, provas funcionais de isquemia miocárdica.
  4. D) Cirurgias vasculares arteriais de aorta, vasculares periféricas e cirurgias de urgência ou emergência são consideradas de alto risco cardíaco (>5%).
  5. E) AVC < 1 mês, artroplastia eletiva de quadril ou joelho, fraturas de quadril, pelve ou membros inferiores, lesão medular espinhal aguda (<1 mês) são considerados fatores de alto risco para tromboembolismo venoso no perioperatório.

Pérola Clínica

Exames pré-operatórios de rotina em assintomáticos < 40 anos não reduzem complicações.

Resumo-Chave

A solicitação de exames pré-operatórios básicos (ECG, raio X de tórax, exames laboratoriais) em pacientes jovens (<40 anos) e assintomáticos para cirurgias de baixo risco não demonstrou reduzir a incidência de complicações perioperatórias. A avaliação deve ser individualizada, focando em comorbidades e no tipo de cirurgia, e não em uma bateria de exames de rotina.

Contexto Educacional

A avaliação perioperatória em cirurgias não cardíacas é um processo crítico que visa otimizar o estado de saúde do paciente, identificar e mitigar riscos, e planejar o manejo anestésico-cirúrgico. O objetivo não é apenas detectar doenças não diagnosticadas, mas sim quantificar o impacto das comorbidades existentes no desfecho cirúrgico. A estratificação de risco cardíaco, por exemplo, é fundamental, com condições como estenose aórtica grave sendo reconhecidas como fatores de alto risco. A solicitação de exames pré-operatórios deve ser criteriosa e individualizada. A prática de solicitar exames básicos (ECG, raio X de tórax, exames laboratoriais) de rotina para pacientes jovens (<40 anos) e assintomáticos, sem comorbidades ou fatores de risco específicos, não é suportada por evidências de redução de complicações e pode levar a custos desnecessários e atrasos. As diretrizes atuais enfatizam a avaliação clínica detalhada e a solicitação de exames apenas quando houver indicação baseada no histórico do paciente, exame físico e tipo de cirurgia. A capacidade funcional do paciente é um preditor importante de risco perioperatório; pacientes com baixa capacidade funcional (inferior a 4 METs) têm maior probabilidade de desenvolver complicações. Além disso, a profilaxia para tromboembolismo venoso é essencial, com fatores de alto risco como AVC recente, fraturas de quadril e cirurgias ortopédicas de grande porte exigindo atenção especial. A compreensão desses princípios é vital para uma prática segura e eficiente na avaliação perioperatória.

Perguntas Frequentes

Quando o ECG pré-operatório é indicado em cirurgias não cardíacas?

O ECG pré-operatório é indicado para pacientes com doença cardiovascular conhecida, múltiplos fatores de risco cardíaco, ou para cirurgias de risco intermediário a alto, independentemente da idade, mas não é recomendado como rotina para pacientes jovens e assintomáticos.

Quais condições cardíacas são consideradas de alto risco em cirurgias não cardíacas?

Estenose aórtica grave, insuficiência cardíaca descompensada, infarto agudo do miocárdio recente (< 7 dias), angina instável e arritmias de alto grau são consideradas condições de alto risco, exigindo avaliação e otimização rigorosas antes da cirurgia.

Como a capacidade funcional do paciente influencia o risco perioperatório?

Pacientes com baixa capacidade funcional (incapazes de realizar 4 METs) apresentam maior risco de complicações cardíacas perioperatórias. A avaliação da capacidade funcional é um importante preditor de risco e pode guiar a necessidade de exames complementares.

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