Avaliação Pré-Operatória: Manejo de Valvopatias Cardíacas

PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2022

Enunciado

A correta avaliação pré-operatória acompanhada do adequado preparo pré-operatório podem reduzir as taxas de complicações cardiovasculares, respiratórias e renais. Em relação ao tema é CORRETO afirmar:

Alternativas

  1. A) A revascularização miocárdica está indicada de rotina antes da cirurgia não-cardíaca nos pacientes com isquemia coronariana.
  2. B) A impossibilidade de subir quatro lances de escada corresponde a equivalente metabólico menor que quatro, o que dobra, por si só, o risco de complicações cardiovasculares. 
  3. C) No índice de risco cardíaco revisado, a presença de isquemia coronariana recente e de insuficiência cardíaca descompensada são os fatores de maior pontuação para a ocorrência de complicações cardiovasculares.
  4. D) Pacientes que apresentam valvopatia com indicação de tratamento intervencionista valvar devem ser, prioritariamente, submetidos ao tratamento cardíaco antes da cirurgia não-cardíaca proposta.

Pérola Clínica

Valvopatia grave sintomática → correção cardíaca prioritária antes de cirurgia não-cardíaca eletiva.

Resumo-Chave

A avaliação pré-operatória é crucial para identificar e mitigar riscos. Pacientes com valvopatias graves sintomáticas, como estenose aórtica grave, apresentam alto risco de complicações cardiovasculares em cirurgias não-cardíacas. Nesses casos, a correção da valvopatia deve ser priorizada antes do procedimento eletivo para otimizar o resultado e a segurança do paciente.

Contexto Educacional

A avaliação pré-operatória é um pilar fundamental na prática médica, visando identificar e otimizar as condições de saúde do paciente antes de um procedimento cirúrgico. O objetivo principal é reduzir a morbimortalidade perioperatória, especialmente em relação a complicações cardiovasculares, respiratórias e renais. Uma anamnese detalhada, exame físico e exames complementares direcionados são cruciais. No contexto cardiovascular, a estratificação de risco é essencial. Ferramentas como o Índice de Risco Cardíaco Revisado (IRCR) de Lee auxiliam na identificação de pacientes com maior probabilidade de eventos cardíacos adversos. A capacidade funcional do paciente, expressa em equivalentes metabólicos (METs), também é um forte preditor de risco, sendo que uma capacidade < 4 METs indica maior vulnerabilidade. Particularmente, pacientes com valvopatias graves sintomáticas, como a estenose aórtica grave, representam um grupo de alto risco. Nesses casos, a correção da valvopatia deve ser prioritária antes de qualquer cirurgia não-cardíaca eletiva, pois o estresse cirúrgico pode descompensar a condição cardíaca e levar a eventos catastróficos. A decisão de revascularização miocárdica pré-operatória, por sua vez, não é rotineira e deve ser baseada em indicações próprias da doença coronariana, independentes da cirurgia não-cardíaca.

Perguntas Frequentes

Quando a revascularização miocárdica é indicada antes de uma cirurgia não-cardíaca?

A revascularização miocárdica não é indicada de rotina antes de cirurgias não-cardíacas. Ela é considerada apenas em pacientes com indicação própria de revascularização (por exemplo, angina instável, doença multiarterial grave) independentemente da cirurgia não-cardíaca, ou em casos muito específicos de alto risco perioperatório que não podem ser manejados clinicamente.

Qual a importância da capacidade funcional (METs) na avaliação pré-operatória?

A capacidade funcional, medida em equivalentes metabólicos (METs), é um forte preditor de risco cardiovascular perioperatório. Pacientes com capacidade funcional < 4 METs (ex: incapacidade de subir dois lances de escada ou caminhar 4 quarteirões) têm maior risco de complicações cardíacas e devem ser avaliados com mais cautela.

Quais são os fatores de maior pontuação no Índice de Risco Cardíaco Revisado (IRCR) de Lee?

Os fatores de risco no IRCR de Lee incluem: cirurgia de alto risco, doença isquêmica cardíaca, insuficiência cardíaca, doença cerebrovascular, diabetes mellitus com uso de insulina e insuficiência renal. Cada um desses fatores contribui para a pontuação total, que estratifica o risco de eventos cardíacos maiores.

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