Avaliação Pré-Operatória: Risco Cardiovascular em Cirurgia

CSNSC - Casa de Saúde Nossa Senhora do Carmo (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Na avaliação pré-operatória de uma mulher de 75 anos para uma gastrectomia por câncer, temos os seguintes dados: Paciente em bom estado geral, ativa com boa capacidade funcional, portadora de Diabetes mellitus em uso de hipoglicemiante oral e Hb glicada = 7, sem história de Hipertensão arterial sistêmica, com PA na avaliação de 130x80mmHg, ausência de dispneia ou dor torácica. Exames complementares sem alterações laboratoriais e eletrocardiograma sinusal com hemibloqueio anterior esquerdo (HBAE). Qual a conduta mais adequada?

Alternativas

  1. A) Realizar Holter 24h devido à alteração do eletrocardiograma, visando afastar alguma arritmia
  2. B) Realizar cateterismo cardíaco antes da cirurgia por se tratar de um procedimento de alto risco e paciente com alteração em eletrocardiograma de repouso
  3. C) Realizar Cintilografia miocárdica de perfusão, pois apesar de assintomática, trata -se uma paciente de alto risco cardiovascular por ser diabética e com programação de cirurgia de grande porte
  4. D) Proceder a cirurgia sem avaliação adicional

Pérola Clínica

Paciente diabética ativa com boa capacidade funcional e ECG com HBAE isolado para cirurgia de alto risco → não requer investigação cardíaca adicional se assintomática.

Resumo-Chave

A capacidade funcional é um dos preditores mais importantes de eventos cardíacos perioperatórios. Pacientes com boa capacidade funcional (≥ 4 METs) e assintomáticos, mesmo com fatores de risco como diabetes e ECG alterado (HBAE isolado), geralmente não necessitam de exames complementares invasivos antes de cirurgias de alto risco.

Contexto Educacional

A avaliação pré-operatória de risco cardiovascular é fundamental para otimizar o paciente antes de cirurgias não cardíacas, especialmente em idosos e naqueles com comorbidades. O objetivo é identificar pacientes com maior risco de eventos cardíacos perioperatórios e implementar estratégias para minimizá-los, sem atrasar desnecessariamente a cirurgia. Neste caso, a paciente de 75 anos, embora diabética e com HBAE no ECG, apresenta bom estado geral e excelente capacidade funcional (ativa, boa capacidade funcional), o que é um forte preditor de baixo risco de eventos cardíacos. O diabetes está controlado (Hb glicada = 7), e não há história de hipertensão ou sintomas cardíacos. O HBAE isolado é um achado comum em idosos e, na ausência de sintomas ou outras alterações, não indica doença coronariana significativa. As diretrizes atuais enfatizam a capacidade funcional como um dos principais determinantes para a necessidade de exames complementares. Pacientes assintomáticos com boa capacidade funcional (≥ 4 METs) geralmente podem prosseguir para cirurgias de alto risco sem testes cardíacos adicionais, como Holter, cateterismo ou cintilografia miocárdica, que seriam desnecessários e poderiam atrasar o tratamento do câncer.

Perguntas Frequentes

Qual a importância da capacidade funcional na avaliação pré-operatória?

A capacidade funcional é um dos preditores mais robustos de eventos cardíacos perioperatórios. Pacientes com boa capacidade funcional (≥ 4 METs) geralmente toleram bem o estresse cirúrgico, mesmo na presença de fatores de risco.

Quando um paciente diabético precisa de investigação cardíaca adicional antes da cirurgia?

Um paciente diabético necessita de investigação adicional se apresentar sintomas cardíacos (angina, dispneia), má capacidade funcional (< 4 METs) ou se a cirurgia for de alto risco e houver outros fatores de risco não controlados.

Um hemibloqueio anterior esquerdo isolado requer investigação cardíaca pré-operatória?

Um hemibloqueio anterior esquerdo (HBAE) isolado, na ausência de sintomas cardíacos ou outras alterações significativas no ECG, geralmente não requer investigação cardíaca adicional antes de cirurgias não cardíacas.

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