Avaliação Pré-operatória: Capacidade Funcional e Risco

SMS João Pessoa - Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa (PB) — Prova 2023

Enunciado

O objetivo da avaliação pré-operatória não é procurar extensivamente por doenças não diagnosticadas, mas identificar e quantificar qualquer comorbidade que pode afetar o resultado cirúrgico. Com relação aos testes de função cardiológica e pulmonar no préoperatório quais das seguintes sentenças abaixo é verdadeira?

Alternativas

  1. A) Geralmente são indicados os testes de função pulmonar no pré-operatório para cirurgias pélvicas, pois previnem complicações pulmonares durante e após a cirurgia.
  2. B) Deve-se geralmente se considerar a realização dos testes de função pulmonar (como espirometria) no pré-operatório de pacientes que se submeterão a cirurgia de colecistectomia aberta por se tratar de uma cirurgia no andar superior do abdome.
  3. C) Para a maioria das cirurgias de ressecções pulmonares os testes de função pulmonar no pré-operatório não têm utilidade na prevenção de complicações.
  4. D) Um método fácil e barato para determinar o estado funcional cardiopulmonar para operação não cardíaca é a capacidade ou incapacidade de o paciente subir dois lances de escada.
  5. E) As recomendações gerais são para que se espere pelo menos de 4 a 6 meses após a ocorrência de um infarto agudo do miocárdio para que o paciente possa ser operado.

Pérola Clínica

A capacidade de subir dois lances de escada é um método simples e eficaz para avaliar a reserva cardiopulmonar pré-operatória.

Resumo-Chave

A avaliação pré-operatória visa identificar comorbidades que afetam o resultado cirúrgico. A capacidade funcional do paciente, como a habilidade de subir dois lances de escada, é um indicador prático e barato da reserva cardiopulmonar, correlacionando-se com o risco de complicações em cirurgias não cardíacas.

Contexto Educacional

A avaliação pré-operatória é um pilar fundamental da segurança do paciente, visando identificar e quantificar comorbidades que possam impactar o desfecho cirúrgico. O objetivo não é realizar uma busca exaustiva por doenças não diagnosticadas, mas sim otimizar as condições do paciente para o procedimento. A avaliação da função cardiopulmonar é um componente crítico, pois o estresse cirúrgico pode descompensar sistemas já fragilizados. Um método simples, barato e eficaz para estimar a capacidade funcional cardiopulmonar é perguntar ao paciente sobre sua capacidade de realizar atividades diárias, como subir dois lances de escada ou caminhar quatro quarteirões. Essa avaliação correlaciona-se com os equivalentes metabólicos (METs) e fornece uma boa estimativa da reserva fisiológica do paciente, sendo um preditor importante de risco para cirurgias não cardíacas. Pacientes com baixa capacidade funcional (menos de 4 METs) apresentam maior risco de complicações. É importante ressaltar que testes de função pulmonar (espirometria) e cardíaca avançados não são indicados rotineiramente para todos os pacientes. Sua solicitação deve ser baseada em indicações clínicas específicas, como doença pulmonar grave não otimizada, suspeita de doença cardíaca não investigada ou cirurgias de alto risco. Para residentes, o domínio da avaliação clínica e a aplicação criteriosa de exames complementares são essenciais para uma prática segura e eficiente, evitando custos desnecessários e otimizando o tempo de preparo pré-operatório.

Perguntas Frequentes

Qual a importância da avaliação da capacidade funcional no pré-operatório?

A avaliação da capacidade funcional é crucial para estimar a reserva cardiopulmonar do paciente e seu risco de complicações perioperatórias. Métodos simples, como a capacidade de subir dois lances de escada (equivalente a 4 METs), fornecem uma boa indicação da tolerância ao estresse fisiológico da cirurgia.

Quando os testes de função pulmonar são realmente indicados no pré-operatório?

Os testes de função pulmonar (como espirometria) não são indicados rotineiramente. Eles são reservados para pacientes com doença pulmonar conhecida e não otimizada, ou para aqueles que serão submetidos a cirurgias pulmonares (como ressecções) onde a função pulmonar pós-operatória será significativamente alterada.

Qual o tempo recomendado para cirurgia após um infarto agudo do miocárdio?

As diretrizes atuais geralmente recomendam esperar pelo menos 4 a 6 semanas (idealmente 60 dias) após um infarto agudo do miocárdio para a realização de cirurgias não cardíacas eletivas, a fim de permitir a estabilização miocárdica e reduzir o risco de eventos cardíacos perioperatórios.

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