Avaliação Pré-operatória: Risco Anestésico e Exames Complementares

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2022

Enunciado

Paciente do sexo masculino, 39 anos, portador de hérnia inguino-escrotal à direita procurou o ambulatório de Cirurgia no intuito de ser submetido a herniorrafia laparoscópica. O paciente é hígido, sem comorbidades e sem histórias de sangramentos anormais, porém apresenta sobrepeso. Não faz uso rotineiro de medicações. Nunca foi submetido a transfusões sanguíneas e nega cirurgias anteriores. Seus sinais vitais são normais e os exame físico do tórax e abdome não apresentam alterações. Observa-se herniação inguino-escrotal redutível, indolor à palpação e sem sinais flogísticos. Sobre o caso, assinale a alternativa INCORRETA:

Alternativas

  1. A) Os dados acima nos permitem concluir que o paciente pode ser classificado quanto ao risco anestésico como ASA 1.
  2. B) O sobrepeso do paciente não contraindica a herniorrafia laparoscópica.
  3. C) Tanto a herniorrafia laparoscópica (técnica TAPP) quanto a herniorrafia convencional pela técnica Lichtestein indicam antibioticoprofilaxia com cefalosporina de 1ª. Geração.
  4. D) O fato do paciente ser sobrepeso indica solicitação de radiografia de tórax, ECG e avaliação do risco cardiológico.

Pérola Clínica

Paciente hígido com sobrepeso para cirurgia eletiva de hérnia → ASA 1, exames pré-operatórios adicionais não são rotina.

Resumo-Chave

Pacientes hígidos, mesmo com sobrepeso, sem comorbidades ou sintomas, são classificados como ASA 1 para cirurgias eletivas. Nesses casos, exames pré-operatórios como radiografia de tórax e ECG não são indicados rotineiramente, a menos que haja achados específicos no histórico ou exame físico que justifiquem a investigação. A antibioticoprofilaxia é indicada para herniorrafias, seja laparoscópica ou aberta.

Contexto Educacional

A avaliação pré-operatória é um pilar fundamental para a segurança do paciente cirúrgico. A classificação do estado físico da American Society of Anesthesiologists (ASA) é amplamente utilizada para estratificar o risco anestésico. Um paciente ASA 1 é considerado hígido, sem doença sistêmica, e o sobrepeso, na ausência de comorbidades associadas, não o exclui dessa categoria. Para pacientes ASA 1 submetidos a cirurgias eletivas de baixo ou médio risco, a solicitação de exames complementares como radiografia de tórax, eletrocardiograma (ECG) ou exames laboratoriais extensos não é rotineiramente indicada, pois não demonstrou reduzir a morbimortalidade e pode gerar custos desnecessários e ansiedade. A decisão deve ser baseada na história clínica, exame físico e tipo de cirurgia. A antibioticoprofilaxia em herniorrafias, seja por via aberta (Lichtenstein) ou laparoscópica (TAPP), é recomendada devido à implantação de tela protética, que aumenta o risco de infecção do sítio cirúrgico. Cefalosporinas de primeira geração são a escolha preferencial. O manejo do paciente com sobrepeso deve considerar a otimização de condições clínicas, mas sem exames adicionais desnecessários se o paciente for hígido.

Perguntas Frequentes

Como é classificado o risco anestésico ASA?

A classificação ASA (American Society of Anesthesiologists) varia de 1 (paciente hígido) a 6 (paciente com morte cerebral), avaliando o estado físico do paciente para determinar o risco anestésico-cirúrgico.

Quando a antibioticoprofilaxia é indicada para herniorrafia?

A antibioticoprofilaxia com cefalosporina de primeira geração é indicada para herniorrafias, tanto abertas (Lichtenstein) quanto laparoscópicas (TAPP), devido ao uso de tela protética, que aumenta o risco de infecção.

O sobrepeso isolado justifica exames pré-operatórios adicionais em pacientes ASA 1?

Não, o sobrepeso isolado em um paciente hígido (ASA 1) sem comorbidades ou sintomas não justifica a solicitação rotineira de exames como radiografia de tórax ou ECG. A avaliação deve ser individualizada.

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