Avaliação Pré-operatória: Exames Essenciais e Dispensáveis

IOG - Instituto de Olhos de Goiânia — Prova 2020

Enunciado

Os cuidados pré-operatórios são fundamentais para os resultados pós-operatórios e garantem segurança e rapidez na recuperação do enfermo. Tendo em vista sua importância, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Os pacientes que fazem uso domiciliar de insulina devem ter suas medicações substituídas por biguanidas orais, como a metformina, pelo risco de acidose láctica fortemente relacionada ao uso de insulinoterapia pré-operatória.
  2. B) Para um paciente de 22 anos, sexo masculino, ASA I e que será submetido a uma cirurgia de herniorrafia inguinal, exames laboratoriais e avaliação cardiológica com eletrocardiograma podem ser dispensados na avaliação pré-operatória.
  3. C) Independentemente da idade e do passado mórbido, todos os pacientes que serão submetidos à cirurgia de colecistectomia videolaparoscópica devem realizar avaliação cardiológica pelo risco elevado de complicações hemodinâmicas induzidas pelo pneumoperitôneo na vídeo-cirurgia.
  4. D) Recomenda-se jejum pré-operatório de no mínimo 12h para líquidos e 24h para sólidos e alimentos à base de leite para diminuir riscos de broncoaspiração durante a indução anestésica.
  5. E) A terapia nutricional pré-operatória não apresenta impacto na cicatrização de ferida e não diminui o risco de deiscência anastomótica em paciente oncológicos.

Pérola Clínica

Pacientes ASA I jovens submetidos a cirurgias de baixo risco → exames pré-operatórios de rotina dispensáveis.

Resumo-Chave

A avaliação pré-operatória deve ser individualizada, considerando o estado de saúde do paciente (classificação ASA) e o tipo de cirurgia. Em pacientes jovens e saudáveis (ASA I) para procedimentos de baixo risco, a bateria de exames complementares de rotina é frequentemente desnecessária, evitando custos e atrasos.

Contexto Educacional

A avaliação pré-operatória é um pilar fundamental para a segurança do paciente e otimização dos resultados cirúrgicos. Seu objetivo principal é identificar e otimizar condições clínicas pré-existentes, estimar o risco cirúrgico e anestésico, e planejar o manejo perioperatório. A classificação ASA (American Society of Anesthesiologists) é amplamente utilizada para estratificar o risco, variando de ASA I (paciente saudável) a ASA VI (paciente com morte cerebral). A necessidade de exames complementares deve ser individualizada, baseada na classificação ASA, idade do paciente, comorbidades e tipo de cirurgia. Para pacientes ASA I e II submetidos a cirurgias de baixo e médio risco, exames laboratoriais e eletrocardiograma de rotina podem ser dispensados, pois não demonstram benefício na redução de complicações. No entanto, em pacientes com comorbidades ou para cirurgias de alto risco, uma avaliação mais abrangente é indispensável. Outros aspectos cruciais incluem o manejo de medicações crônicas, como anti-hipertensivos, anticoagulantes e hipoglicemiantes, que podem necessitar de ajustes ou suspensão temporária. As diretrizes de jejum pré-operatório também evoluíram, visando reduzir o risco de broncoaspiração sem prolongar desnecessariamente o período de jejum, permitindo líquidos claros até 2 horas antes da cirurgia em muitos casos. A terapia nutricional pré-operatória, especialmente em pacientes desnutridos ou oncológicos, é vital para melhorar a cicatrização e reduzir complicações.

Perguntas Frequentes

Quais pacientes podem dispensar exames pré-operatórios de rotina?

Pacientes jovens, saudáveis (ASA I) submetidos a cirurgias de baixo risco podem dispensar exames laboratoriais e ECG de rotina, focando na história clínica e exame físico.

Quais são as diretrizes atuais para jejum pré-operatório?

As diretrizes atuais recomendam jejum de 2 horas para líquidos claros, 6 horas para alimentos leves e 8 horas para alimentos gordurosos ou carne, visando reduzir o risco de broncoaspiração.

Como manejar a metformina e insulina no pré-operatório?

A metformina deve ser suspensa 24-48h antes da cirurgia pelo risco de acidose láctica. A insulina basal pode ser mantida com dose reduzida, e a insulina de ação rápida suspensa, com monitoramento glicêmico rigoroso.

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