INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2016
Um homem com 70 anos de idade, hipertenso, foi atendido em uma Unidade de Emergência com quadro de bexigoma e infecção urinária, quando foi feita a passagem de sonda vesical de demora e iniciada antibioticoterapia. Após remissão completa do quadro infeccioso, o paciente foi internado no serviço de urologia de um hospital universitário para realização de ressecção transuretral de próstata. Ao ser submetido à avaliação pré-anestésica, informa, na anamnese, ser portador de marca-passo cardíaco, mas não sabe identificar o modelo e nem possui o cartão de identificação de usuário de marca-passo. O paciente informa ainda fazer uso regular de ácido acetilsalicílico (100 mg/dia). Com base nessas informações, qual deve ser a conduta subsequente da equipe médica assistente, anestesista e cirurgião, tendo em vista a realização de uma cirurgia segura?
Marca-passo em cirurgia eletiva → Avaliação cardiológica e programação prévia são obrigatórias.
Pacientes portadores de dispositivos cardíacos eletrônicos implantáveis (DCEI) necessitam de avaliação técnica antes de cirurgias com uso de eletrocautério para evitar interferências eletromagnéticas fatais.
A avaliação pré-anestésica de portadores de marca-passo ou desfibriladores (CDI) é um pilar da segurança do paciente. O uso de bisturi elétrico monopolar, comum em ressecções transuretrais, gera campos eletromagnéticos que podem desativar o dispositivo ou induzir arritmias. É imperativo que a equipe cirúrgica e anestésica conheça a resposta do dispositivo ao ímã e se o paciente é dependente do ritmo artificial. Em casos eletivos onde as informações são desconhecidas, o adiamento para avaliação formal é a conduta mais prudente e recomendada pelos protocolos de segurança cirúrgica.
O principal risco é a interferência eletromagnética (IEM) causada pelo eletrocautério, que pode ser interpretada pelo marca-passo como atividade cardíaca intrínseca (inibindo o estímulo) ou causar reprogramação acidental e danos ao circuito.
Em cirurgias eletivas, o paciente deve ser encaminhado para avaliação cardiológica especializada para identificação do modelo, estado da bateria e programação de segurança (como o modo assíncrono VOO/DOO).
A suspensão do AAS depende do risco trombótico versus o risco hemorrágico. Na RTUP, que é uma cirurgia de alto risco de sangramento, a conduta deve ser individualizada, mas a prioridade no caso era a segurança do marca-passo.
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