UFMT Revalida - Universidade Federal de Mato Grosso — Prova 2022
Paciente masculino, 46 anos, tabagista, obeso, portador de diabetes mellitus insulinodependente compensado e hipertensão arterial sistêmica controlada com inibidor da enzima conversora de angiotensina. Está programada a cirurgia de colecistectomia aberta, razão pela qual é solicitada a avaliação pré-anestésica. Ao exame físico, constata-se presença de barba volumosa, uso de prótese superior e inferior, micrognatia e Teste de Mallampati classificação II. Revisão de sistemas sem alterações e exames laboratoriais dentro da normalidade. Marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.( ) A última diretriz de avaliação cardiovascular perioperatória da Sociedade Brasileira de Cardiologia não recomenda a suspensão dos inibidores da enzima conversora de angiotensina no perioperatório.( ) O risco pertinente ao procedimento cirúrgico se refere à provável ocorrência de eventos cardiovasculares perioperatório, independentemente do estado clínico do paciente. A colecistectomia aberta, portanto, é um procedimento de baixo risco (<1%).( ) A realização de ecocardiograma transtorácico é recomendada para todos os pacientes portadores de hipertensão arterial sistêmica, pois oferece informações adicionais de risco, a exemplo da fração de ejeção, que interferem na escolha das medicações anestésicas.( ) Conforme a Sociedade Americana de Anestesiologia (ASA), o paciente descrito é classificado como ASA II, isto é, aquele que apresenta doença sistêmica leve a moderada.Assinale a sequência correta.
Avaliação pré-anestésica → considerar suspensão de IECA/BRA, risco cirúrgico do procedimento, indicação de exames e classificação ASA para otimizar segurança.
A avaliação pré-anestésica é crucial para otimizar o paciente e minimizar riscos. Envolve a análise do estado clínico do paciente (comorbidades), o risco inerente ao procedimento cirúrgico e a adequação dos exames complementares, além da classificação ASA para estratificação de risco.
A avaliação pré-anestésica é um componente fundamental para a segurança do paciente cirúrgico, visando identificar e otimizar condições clínicas que possam aumentar o risco de complicações perioperatórias. Ela envolve uma anamnese detalhada, exame físico e, quando necessário, exames complementares, culminando na estratificação de risco e no plano anestésico. Um ponto crítico é o manejo de medicações crônicas. A suspensão de inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECAs) e bloqueadores do receptor de angiotensina (BRAs) no perioperatório é um tema de debate. Tradicionalmente, recomendava-se a suspensão 24 horas antes da cirurgia para evitar hipotensão refratária. No entanto, algumas diretrizes mais recentes têm reconsiderado essa prática, sugerindo que a manutenção pode ser segura em certos contextos, embora a decisão deva ser individualizada. A classificação do risco cirúrgico é multifatorial, dependendo tanto das comorbidades do paciente quanto do tipo de procedimento. A colecistectomia aberta é tipicamente classificada como um procedimento de risco intermediário para eventos cardiovasculares. A classificação da Sociedade Americana de Anestesiologistas (ASA) é uma ferramenta importante para estratificar o risco do paciente, onde ASA II representa doença sistêmica leve a moderada e ASA III, doença sistêmica grave, mas não incapacitante. A indicação de exames complementares, como o ecocardiograma, deve ser criteriosa, reservada para pacientes com sintomas, sinais de disfunção orgânica ou comorbidades descompensadas, e não como rotina para todos os pacientes com hipertensão controlada.
As diretrizes são controversas. Embora a suspensão 24 horas antes da cirurgia seja uma prática comum para evitar hipotensão, algumas diretrizes mais recentes podem sugerir a manutenção em casos selecionados, dependendo do risco individual do paciente.
A colecistectomia aberta é geralmente classificada como um procedimento de risco intermediário para eventos cardiovasculares, com uma probabilidade de eventos cardíacos maiores variando entre 1% e 5%.
O ecocardiograma transtorácico é recomendado apenas para pacientes com hipertensão arterial sistêmica que apresentem sintomas cardíacos, alterações no ECG sugestivas de disfunção, ou HAS grave não controlada, não sendo uma rotina para todos os hipertensos.
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