USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2025
Homem, 60 anos de idade, é internado para correção de hérnia umbilical eletiva. Refere antecedente de infarto agudo do miocárdio há três anos, tratado com angioplastia de artéria coronária direita. Realiza atividades domiciliares diariamente, como deslocar móveis pesados, sem referir sintomas. Faz uso de AAS 100 mg 1 vez ao dia e atorvastatina 40 mg 1 vez ao dia. A conduta mais adequada no perioperatório é:
Prevenção secundária (IAM prévio) + Cirurgia de baixo/médio risco → Manter AAS 100mg.
A manutenção do AAS em pacientes com doença coronariana estabelecida reduz o risco de eventos isquêmicos perioperatórios, sem aumentar significativamente o risco de sangramento em cirurgias de pequeno porte.
A decisão de manter ou suspender antiagregantes plaquetários no perioperatório baseia-se no equilíbrio entre o risco trombótico (cardiovascular) e o risco hemorrágico (cirúrgico). Pacientes em prevenção secundária, como o do caso (IAM há 3 anos), possuem alto risco de eventos isquêmicos se o AAS for retirado. Para cirurgias de baixo risco hemorrágico, como herniorrafias, biópsias e procedimentos odontológicos, o consenso atual das diretrizes de cardiologia (SBC e AHA) recomenda fortemente a manutenção do ácido acetilsalicílico. A avaliação da capacidade funcional do paciente (conseguir deslocar móveis pesados sugere > 4 METs) também auxilia na estratificação de risco, indicando uma boa reserva cardiovascular para o procedimento proposto.
O AAS deve ser mantido em pacientes que o utilizam para prevenção secundária de eventos cardiovasculares (ex: IAM prévio, AVC isquêmico, angioplastia) e que serão submetidos a cirurgias de baixo ou moderado risco hemorrágico, como a correção de hérnia umbilical. O risco de trombose coronariana por suspensão do antiagregante supera o risco de sangramento cirúrgico.
A suspensão do AAS (geralmente 7 dias antes) é considerada em cirurgias com risco de sangramento em espaços fechados onde mesmo pequenos volumes são catastróficos, como neurocirurgias intracranianas, cirurgias de canal medular e alguns procedimentos oftalmológicos de câmara posterior (retina).
O início de betabloqueadores no pré-operatório imediato (dias antes da cirurgia) não é recomendado rotineiramente e pode aumentar o risco de AVC e hipotensão. Eles devem ser mantidos se o paciente já os utiliza cronicamente, mas não iniciados de forma aguda para proteção perioperatória sem titulação prévia adequada.
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