MedEvo Simulado — Prova 2026
Uma paciente de 67 anos, com índice de massa corporal (IMC) de 31 kg/m², tem cirurgia eletiva de colecistectomia videolaparoscópica agendada para o próximo mês devido a colelitíase sintomática. Durante a consulta de avaliação pré-operatória, ela relata ser portadora de hipertensão arterial sistêmica e diabetes mellitus tipo 2. Faz uso regular de Lisinopril (20 mg/dia), Metformina (850 mg duas vezes ao dia) e Ácido Acetilsalicílico (AAS 100 mg/dia). A paciente esclarece que o AAS foi prescrito para prevenção primária de eventos cardiovasculares, pois nunca apresentou infarto agudo do miocárdio ou acidente vascular cerebral. Seus exames laboratoriais recentes mostram creatinina de 0,9 mg/dL, potássio de 4,2 mEq/L e hemoglobina glicada de 7,1%. O eletrocardiograma apresenta ritmo sinusal com sinais de sobrecarga atrial esquerda. Com base nas diretrizes atuais de avaliação perioperatória, qual a conduta mais adequada em relação às medicações crônicas desta paciente?
AAS (prevenção primária) e IECA/BRA devem ser suspensos no pré-operatório para evitar sangramento e hipotensão.
IECA/BRA aumentam o risco de hipotensão grave na indução anestésica. O AAS em prevenção primária deve ser suspenso pelo risco hemorrágico superar o benefício cardiovascular em cirurgias eletivas.
A avaliação perioperatória visa estratificar riscos e otimizar medicações crônicas para minimizar complicações. Medicamentos que interferem na estabilidade hemodinâmica, como os IECA e BRA, são geralmente suspensos 24 horas antes para evitar hipotensão severa intraoperatória. No caso do diabetes, a metformina é suspensa para reduzir o risco de acidose lática, especialmente em procedimentos que podem cursar com instabilidade volêmica. Quanto à antiagregação plaquetária, a decisão baseia-se no equilíbrio entre risco trombótico e hemorrágico. Em prevenção primária, o benefício do AAS é baixo, justificando sua suspensão 7 dias antes para restaurar a função plaquetária total. Já em prevenção secundária, a manutenção costuma ser a regra para evitar eventos isquêmicos agudos, sendo a suspensão uma exceção discutida caso a caso.
O uso de Inibidores da Enzima Conversora de Angiotensina (IECA) ou Bloqueadores dos Receptores de Angiotensina (BRA) no dia da cirurgia está associado a um maior risco de 'hipotensão de indução', que pode ser severa e refratária a vasopressores comuns, devido ao bloqueio do sistema renina-angiotensina-aldosterona.
O AAS deve ser mantido apenas em pacientes em prevenção secundária (quem já teve infarto ou AVC), especialmente se possuírem stents coronarianos recentes, exceto em cirurgias de altíssimo risco hemorrágico como neurocirurgias ou cirurgias oftalmológicas de segmento posterior.
A recomendação clássica é suspender a metformina 24 a 48 horas antes do procedimento devido ao risco teórico de acidose lática, especialmente se houver risco de disfunção renal aguda perioperatória ou necessidade de uso de contraste iodado.
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