HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (DF) — Prova 2024
A avaliação clínica perioperatória...
Avaliação perioperatória → estratificação de risco funcional e cardiovascular para reduzir morbimortalidade.
A avaliação pré-operatória não deve ser uma rotina de exames, mas uma estratificação individualizada baseada em comorbidades, capacidade funcional e porte cirúrgico.
A medicina perioperatória evoluiu de uma simples 'liberação' para uma avaliação dinâmica de riscos. O objetivo primordial é identificar condições médicas instáveis que exijam tratamento imediato antes de uma cirurgia eletiva e quantificar o risco de eventos adversos para informar o consentimento do paciente e o planejamento anestésico-cirúrgico. As diretrizes modernas enfatizam que exames complementares só devem ser solicitados se o resultado tiver o potencial de mudar a conduta clínica. A utilização de escores como o ASA (American Society of Anesthesiologists) e o RCRI (Revised Cardiac Risk Index) permite uma comunicação padronizada entre as equipes e uma melhor alocação de recursos, como vagas em UTI no pós-operatório.
O Índice de Risco Cardíaco Revisado (Lee) avalia seis preditores independentes de complicações cardíacas maiores: cirurgia de alto risco (intraperitoneal, intratorácica ou suprainguinal), história de doença isquêmica do coração, história de insuficiência cardíaca congestiva, história de doença cerebrovascular, diabetes mellitus com uso de insulina e creatinina pré-operatória superior a 2,0 mg/dL. Cada fator pontua um ponto, permitindo classificar o paciente em classes de risco que variam de I (zero pontos) a IV (três ou mais pontos), orientando a necessidade de propedêutica armada adicional ou otimização terapêutica antes do procedimento cirúrgico.
A solicitação de eletrocardiograma (ECG) no pré-operatório não deve ser universal. É indicada para pacientes com doença cardiovascular conhecida, arritmias, doença arterial coronariana, insuficiência cardíaca ou doença vascular periférica. Além disso, pacientes assintomáticos que serão submetidos a cirurgias de alto risco ou aqueles com obesidade mórbida, diabetes ou hipertensão de longa data podem se beneficiar. Em pacientes jovens, hígidos e assintomáticos que realizarão cirurgias de baixo ou médio risco, o ECG de rotina apresenta baixo valor preditivo e não altera o desfecho clínico, não sendo recomendado pelas diretrizes atuais da SBC e AHA.
A capacidade funcional, medida em Equivalentes Metabólicos (METs), é um dos preditores mais fortes de eventos cardiovasculares perioperatórios. Pacientes capazes de realizar atividades que demandem mais de 4 METs (como subir dois lances de escada ou caminhar rápido) geralmente apresentam bom prognóstico, mesmo com comorbidades estáveis. Se a capacidade funcional for baixa (< 4 METs) ou desconhecida, e o paciente possuir fatores de risco clínicos para uma cirurgia de risco moderado ou alto, a investigação adicional com testes de estresse não invasivos pode ser necessária para estratificar melhor o risco de isquemia miocárdica.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo