Avaliação Nutricional Pré-Operatória: Risco e Manejo

IPSEMG - Instituto de Previdência dos Servidores de Minas Gerais — Prova 2020

Enunciado

Um paciente comparece ao hospital para submeter-se a gastrectomia subtotal com linfadenectomia por videolaparoscopia devido a lesão visibilizada em endoscopia digestiva alta, cujo anatomopatológico revelou adenocarcinoma tipo intestinal de Laurén. Apresentou perda de 4 kg no último mês (Peso habitual de 80 Kg). Inapetente com vômitos esporádicos no pré-operatório. Julgue a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) Segundo a avaliação subjetiva global (ASG), o paciente teve uma perda de peso discreta caracterizando paciente de baixo risco nutricional, devendo ser reavaliado semanalmente como critério para início de suplementação nutricional. Nesta situação está indicada abordagem cirúrgica imediata, caso o estadiamento cirúrgico permita.
  2. B)  Tanto a intolerância como a obstrução digestiva alta, podem ser indicativos de suplementação nutricional e, embora a via enteral seja sempre a preferencial no caso em questão, a nutrição parenteral torna-se a opção mais plausível.
  3. C)  Pacientes com tolerância parcial a dieta pode receber a nutrição parenteral tanto em via periférica como por acesso central. Opções como a punção central por acesso periférico aumentam as opções de acessos vasculares, sendo que um dos obstáculos está na hiposmolaridade da dieta que gera flebites e perdas dos acessos por trombose, além de infecções tanto pelo uso prolongado quanto pelo componente lipídico da dieta.
  4. D)  A albumina é o principal marcador sérico de desnutrição aguda. Estando os valores superiores aos de referência do laboratório, autorizam a execução de qualquer procedimento cirúrgico, independente de inquéritos nutricionais como a ASG ou avaliações de pregas cutâneas e espessura do músculo adutor do polegar.

Pérola Clínica

Albumina não é marcador agudo de desnutrição; avaliação nutricional completa (ASG) é crucial pré-cirurgia.

Resumo-Chave

A albumina sérica não é um bom marcador de desnutrição aguda devido à sua longa meia-vida e influência por processos inflamatórios. Uma avaliação nutricional completa, incluindo a Avaliação Subjetiva Global (ASG) e antropometria, é indispensável para identificar o risco nutricional pré-operatório, especialmente em pacientes oncológicos com perda de peso.

Contexto Educacional

A avaliação nutricional pré-operatória é um componente crítico no manejo de pacientes cirúrgicos, especialmente aqueles com câncer e perda de peso significativa, como no caso de adenocarcinoma gástrico. A desnutrição está associada a um aumento das complicações pós-operatórias, tempo de internação e mortalidade. Identificar e intervir precocemente é fundamental para otimizar os desfechos. Apesar de ser frequentemente utilizada, a albumina sérica não é o principal marcador de desnutrição aguda. Sua meia-vida longa (aproximadamente 20 dias) e a influência de fatores inflamatórios, hepáticos e de hidratação a tornam um indicador tardio e inespecífico. Marcadores como a pré-albumina (transtirretina) e a proteína ligadora de retinol, com meias-vidas mais curtas, são mais sensíveis para avaliar mudanças agudas no estado nutricional. Uma avaliação nutricional completa deve incluir a história clínica (perda de peso, ingestão alimentar, sintomas gastrointestinais), exame físico (perda de massa muscular e gordura), e ferramentas de rastreamento e avaliação, como a Avaliação Subjetiva Global (ASG). A suplementação nutricional pré-operatória, preferencialmente por via enteral, é indicada para pacientes desnutridos ou em risco, visando a melhora do estado nutricional antes do procedimento cirúrgico.

Perguntas Frequentes

Por que a albumina sérica não é um bom marcador de desnutrição aguda?

A albumina possui uma meia-vida longa (cerca de 20 dias) e seus níveis são fortemente influenciados por processos inflamatórios, hidratação e função hepática, tornando-a um indicador tardio e inespecífico de desnutrição aguda.

Quais são os métodos mais adequados para avaliar o risco nutricional pré-operatório?

Métodos mais adequados incluem a história clínica (perda de peso, ingestão), exame físico (perda de massa muscular/gordura), ferramentas de rastreamento (NRS-2002, MUST) e avaliação global (ASG), além de marcadores como pré-albumina.

Quando a suplementação nutricional pré-operatória é indicada em pacientes oncológicos?

É indicada em pacientes com desnutrição moderada a grave ou em risco nutricional, especialmente aqueles com perda de peso significativa, inapetência ou disfunção gastrointestinal, visando otimizar o estado nutricional antes da cirurgia.

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