PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2023
Paciente de 57 anos, sexo masculino, admitido no hospital em pré-operatório de câncer gástrico, relatou ao médico ter notado uma redução de 2kg da data da internação até a data da avaliação no leito. Referiu deambulação irregular, por sensação de fraqueza nas pernas e certa dificuldade na aceitação da dieta, o que também aconteceu com alguns alimentos no lar, e demandou possíveis ajustes na dieta ofertada. Sabendo-se que a avaliação nutricional do paciente hospitalizado, tal qual o acima relatado, é uma ferramenta essencial para sistematizar e assegurar o cuidado adequado, assinale a alternativa ERRADA:
Avaliação nutricional: Peso corporal isolado NÃO é suficiente; requer múltiplos parâmetros para diagnóstico completo.
O peso corporal é uma medida importante e de fácil obtenção, mas não deve ser usado isoladamente para uma avaliação nutricional completa. É essencial combiná-lo com outros parâmetros como altura, IMC, perda de peso recente, ingestão alimentar, exames bioquímicos e exame físico para um diagnóstico nutricional preciso, especialmente em pacientes com doenças graves como câncer.
A avaliação nutricional do paciente hospitalizado é uma ferramenta essencial para identificar riscos de desnutrição, diagnosticar o estado nutricional e planejar intervenções adequadas. A desnutrição hospitalar é uma condição comum e está associada a piores desfechos clínicos, como maior tempo de internação, aumento de complicações e mortalidade. A triagem nutricional é o primeiro passo, visando identificar pacientes em risco para uma avaliação mais aprofundada. O processo de avaliação nutricional deve ser abrangente, utilizando múltiplos parâmetros. Embora o peso corporal seja uma medida de fácil obtenção e importante para o cálculo de doses de medicamentos e monitoramento de tendências, ele não é suficiente para uma avaliação nutricional completa quando usado isoladamente. O peso pode ser mascarado por retenção hídrica (edema, ascite) ou não refletir a perda de massa muscular (sarcopenia), que é um indicador crucial de desnutrição e prognóstico em pacientes com câncer, como o relatado no caso. Um diagnóstico nutricional preciso requer a integração de dados antropométricos (peso, altura, IMC, pregas cutâneas), bioquímicos (albumina, pré-albumina, PCR), clínicos (exame físico para sinais de deficiência, perda de massa muscular e gordura) e dietéticos (história alimentar, ingestão atual). A colaboração do paciente é valiosa para coletar informações subjetivas, mas a avaliação deve prosseguir mesmo na ausência dela, utilizando dados objetivos e informações de familiares ou prontuário. Ajustes no cardápio e a gastronomia hospitalar são importantes para melhorar a aceitação da dieta, mas muitas vezes a suplementação nutricional ou terapia nutricional especializada são necessárias para alcançar um estado nutricional favorável.
Na triagem nutricional hospitalar, consideram-se basicamente três itens: a condição nutricional prévia do paciente (ex: perda de peso recente), sua estabilidade clínica e aspectos relativos à doença de base (ex: câncer, cirurgia de grande porte), que podem aumentar o risco nutricional.
O peso corporal isolado não é seguro para uso isolado porque não reflete a composição corporal (massa magra vs. massa gorda), pode ser influenciado por edemas ou ascite, e não indica a qualidade da ingestão alimentar ou a presença de deficiências específicas. É um dado importante, mas deve ser contextualizado com outros parâmetros.
A colaboração do paciente é fundamental para o fornecimento de informações detalhadas sobre sua história alimentar, perda de peso, sintomas gastrointestinais e preferências, o que favorece o estabelecimento de um diagnóstico nutricional preciso e a elaboração de um plano terapêutico adequado. No entanto, em casos de incapacidade, outras fontes de informação são utilizadas.
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