Coma e Consciência: Avaliação Neurológica Essencial

HSJ - Hospital São Julião (MS) — Prova 2015

Enunciado

Assinale a afirmativa ERRADA sobre coma e outros estados de consciência:

Alternativas

  1. A) Coma pode ser definido como o estado de inconsciência de si mesmo e do ambiente, mesmo após estímulos de diversas modalidades e intensidades, em que o paciente permanece de olhos fechados.
  2. B) Na síndrome de Locked-in, em que ocorre lesão de fibras descendentes supranucleares e piramidais, o paciente apresenta incapacidade de movimentação dos membros, afonia, disfagia e limitação da movimentação horizontal dos olhos.
  3. C) A escala de coma de Glasgow é uma escala padronizada utilizada para avaliação do nível de consciência em pacientes vítimas de traumatismo cranioencefálico. Os parâmetros avaliados são a abertura ocular (escore de 1-4), padrão de resposta motora (escore de 1-6) e padrão de resposta verbal (escore de 1-5).
  4. D) Nos pacientes em coma, vários padrões respiratórios foram descritos e podem nos auxiliar no diagnóstico topográfico da lesão. O padrão do tipo Cheyne-Stokes consiste na oscilação lenta entre a hiperventilação e hipoventilação, intercalados por períodos de apneia.
  5. E) O tamanho e reatividade pupilar são dependentes da ação dos neurônios simpáticos e parassimpáticos que inervam os músculos dilatadores e constritores da pupila. Lesões em neurônios da via simpática levam à midríase e da via parassimpática à miose.

Pérola Clínica

Lesão via simpática → miose (ex: Horner); Lesão via parassimpática (III NC) → midríase.

Resumo-Chave

A avaliação pupilar é crucial no exame neurológico. A via simpática é responsável pela dilatação pupilar (midríase), enquanto a via parassimpática (fibras do nervo oculomotor) é responsável pela constrição (miose). Portanto, uma lesão na via simpática causa miose (Síndrome de Horner), e uma lesão na via parassimpática causa midríase.

Contexto Educacional

A avaliação do nível de consciência é um pilar fundamental no exame neurológico, especialmente em pacientes com lesões cerebrais agudas ou crônicas. O coma é definido como um estado de inconsciência profunda, onde o paciente não responde a estímulos e mantém os olhos fechados, diferenciando-se de outros estados como o vegetativo ou a síndrome de Locked-in. A Escala de Coma de Glasgow é uma ferramenta padronizada e amplamente utilizada para quantificar o nível de consciência, sendo essencial no manejo de traumatismos cranioencefálicos e outras condições neurológicas agudas. Além da GCS, a observação de padrões respiratórios anormais (como Cheyne-Stokes) e a avaliação dos reflexos do tronco cerebral, como o reflexo pupilar, são cruciais para a localização topográfica da lesão. O reflexo pupilar é mediado por vias simpáticas e parassimpáticas. A via simpática (origem hipotalâmica, desce pelo tronco cerebral, medula espinhal e gânglio cervical superior) causa midríase (dilatação). A via parassimpática (origem no núcleo de Edinger-Westphal, via nervo oculomotor III) causa miose (constrição). Portanto, lesões simpáticas levam à miose (ex: Síndrome de Horner), enquanto lesões parassimpáticas (ex: compressão do III nervo) levam à midríase. Compreender essas vias é vital para interpretar as alterações pupilares e guiar o diagnóstico diferencial.

Perguntas Frequentes

Quais são os componentes avaliados na Escala de Coma de Glasgow?

A Escala de Coma de Glasgow avalia três componentes: abertura ocular (pontuação de 1 a 4), melhor resposta verbal (pontuação de 1 a 5) e melhor resposta motora (pontuação de 1 a 6), com uma pontuação total variando de 3 a 15.

Como diferenciar a Síndrome de Locked-in de um estado vegetativo?

Na Síndrome de Locked-in, o paciente está consciente e alerta, mas totalmente paralisado, exceto pela movimentação vertical dos olhos e piscar, permitindo comunicação. No estado vegetativo, o paciente está inconsciente, sem interação com o ambiente, embora possa ter ciclos de sono-vigília.

Qual a importância do reflexo pupilar na avaliação de pacientes em coma?

O reflexo pupilar fornece informações cruciais sobre a integridade do tronco cerebral. Lesões em diferentes níveis do tronco cerebral ou compressão do nervo oculomotor (III par) podem causar padrões específicos de miose, midríase ou anisocoria, auxiliando na localização da lesão.

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