UniEVANGÉLICA - Universidade Evangélica de Goiás — Prova 2017
Dr. João assume uma estratégia de saúde da família. Dentro da equipe, descobre que o nível de violência familiar na comunidade é alto. Em seu primeiro dia de trabalho recebe a família de Maria e José para atendimento. Esta utiliza com frequência a unidade. Maria e José têm 3 filhos: Ana (6 anos), Ester (18 anos) e Pedro (9 anos); além deles, mora com a família, Carlos, pai de Maria, um senhor de 79 anos, que possui hipertensão arterial e diabetes. Possui uma capsulite adesiva intensa e dificuldade visual. Sobre o Sr. Carlos, deve-se tomar a seguinte medida para a manutenção da saúde do idoso:
Idoso na APS → Avaliação multidimensional (visão, audição, cognição) é prioritária.
A manutenção da saúde do idoso na APS exige uma abordagem funcional, focando na prevenção de agravos através do rastreio de déficits sensoriais e cognitivos.
A saúde do idoso na Atenção Primária à Saúde (APS) deve ser pautada pela Avaliação Multidimensional, que transcende o modelo biomédico focado apenas em doenças crônicas como hipertensão e diabetes. O objetivo é a manutenção da capacidade funcional, que é o equilíbrio entre a capacidade intrínseca do indivíduo e o ambiente em que ele vive. No caso de pacientes idosos com comorbidades, a presença de limitações físicas e sensoriais exige um olhar atento para a prevenção de quedas e a promoção da autonomia. Evidências demonstram que o rastreamento sistemático de déficits visuais, auditivos e cognitivos permite intervenções que reduzem drasticamente a morbidade. Além disso, a avaliação da cognição é vital para garantir a adesão terapêutica e a segurança no manejo de medicamentos. Portanto, a equipe de Saúde da Família deve priorizar a identificação de fragilidades funcionais para estabelecer um plano de cuidados que preserve a independência do idoso em sua comunidade.
A avaliação multidimensional do idoso é um processo diagnóstico interdisciplinar, dinâmico e estruturado que visa determinar as deficiências e capacidades clínicas, psicossociais e funcionais de um indivíduo idoso. Diferente da avaliação clínica tradicional focada em órgãos e sistemas, ela prioriza a funcionalidade e a qualidade de vida. Na Atenção Primária à Saúde (APS), essa ferramenta é essencial para elaborar um plano de cuidados individualizado, identificando precocemente as grandes síndromes geriátricas, como instabilidade postural, incontinência urinária, declínio cognitivo, depressão e iatrogenia medicamentosa. O objetivo principal é manter a autonomia (capacidade de decisão) e a independência (capacidade de execução) do paciente pelo maior tempo possível, prevenindo hospitalizações desnecessárias, quedas graves e a institucionalização precoce, garantindo um envelhecimento ativo e digno dentro de seu contexto social.
O rastreamento de déficits sensoriais, especificamente visão e audição, constitui um pilar fundamental da manutenção da saúde e prevenção de agravos no idoso. A perda visual, frequentemente causada por patologias como catarata, glaucoma ou degeneração macular, e a presbiacusia (perda auditiva relacionada à idade) estão diretamente correlacionadas ao aumento exponencial do risco de quedas, fraturas de fêmur e isolamento social. Além disso, a privação sensorial é um fator de risco modificável importante para o desenvolvimento de depressão e o aceleramento do declínio cognitivo. Na Estratégia de Saúde da Família, a identificação precoce dessas alterações por meio de testes simples permite intervenções eficazes, como a prescrição de lentes corretivas, cirurgias de catarata ou uso de aparelhos auditivos, que recuperam a funcionalidade e a segurança do idoso em seu ambiente cotidiano.
O encaminhamento ao geriatra na rede pública de saúde deve ser criteriosamente reservado para casos de maior complexidade clínica e funcional, seguindo a lógica da estratificação de risco. Idosos frágeis com múltiplas comorbidades de difícil controle, portadores de síndromes geriátricas graves como demências avançadas com distúrbios de comportamento, polifarmácia complexa (uso de 5 ou mais medicamentos) ou quando a avaliação inicial na APS é inconclusiva, são os principais candidatos. A grande maioria dos idosos, mesmo aqueles com idade avançada como 79 anos, pode e deve ser acompanhada longitudinalmente pela equipe de Saúde da Família. Esta equipe possui o conhecimento do território e do contexto familiar, elementos cruciais para o manejo de doenças crônicas. O encaminhamento nunca deve ser baseado apenas na idade cronológica, mas sim na complexidade das necessidades de saúde.
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