Avaliação Volêmica no Choque Pós-Operatório: USG da VCI

UEL - Hospital Universitário de Londrina (PR) — Prova 2022

Enunciado

Paciente em pós-operatório imediato de esplenectomia, por trauma abdominal fechado, é admitido no CTI. Após 12 horas, evolui instável hemodinamicamente com pressão arterial de 80/60 mmHg e frequência cardíaca de 130 bpm. Apresenta nível de hemoglobina de 12,8 g/dL e não há sinais de sangramento no dreno abdominal.Acerca da ressuscitação hemodinâmica, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) A estabilidade hemodinâmica deverá ser atingida através do uso de vasopressores, preferencialmente a noradrenalina.
  2. B)  A ultrassonografia da veia cava pode auxiliar a reposição volêmica caso apresente colabamento acima de 50% durante a respiração.
  3. C)  Deverá ser realizada expansão volêmica com base apenas na pressão venosa central.
  4. D)  O paciente certamente apresenta coagulopatia secundária a sangramento, que deverá ser corrigida com transfusão na proporção de 1:1:1.
  5. E) Trata-se de sangramento oculto não diagnosticado, e a equipe cirúrgica deve ser imediatamente comunicada para reabordagem.

Pérola Clínica

Instabilidade hemodinâmica pós-operatória + Hb normal + sem sangramento aparente → avaliar volemia com USG VCI (colabamento >50% = hipovolemia).

Resumo-Chave

A ultrassonografia da veia cava inferior (VCI) é uma ferramenta valiosa para guiar a reposição volêmica em pacientes instáveis, especialmente quando a causa da instabilidade não é óbvia. Um colabamento significativo da VCI durante a inspiração sugere hipovolemia.

Contexto Educacional

A instabilidade hemodinâmica no pós-operatório imediato, especialmente após cirurgias de grande porte como a esplenectomia por trauma, é uma situação crítica que exige rápida identificação da causa e manejo adequado. Embora o sangramento seja uma preocupação primária, outros fatores como hipovolemia não hemorrágica, disfunção cardíaca ou sepse podem contribuir. A avaliação precisa do estado volêmico é fundamental para guiar a ressuscitação e evitar tanto a hipovolemia quanto a sobrecarga hídrica, ambas associadas a desfechos adversos. A fisiopatologia da instabilidade hemodinâmica pode ser complexa. No caso apresentado, com hemoglobina estável e ausência de sangramento no dreno, a hipovolemia relativa ou absoluta deve ser investigada. A ultrassonografia da veia cava inferior (VCI) emergiu como uma ferramenta não invasiva e dinâmica para avaliar a responsividade a fluidos. A variação respiratória do diâmetro da VCI, especificamente um colabamento inspiratório maior que 50%, é um forte preditor de responsividade a fluidos, indicando que o paciente se beneficiará da expansão volêmica. A conduta na ressuscitação hemodinâmica deve ser guiada por parâmetros dinâmicos, e não apenas estáticos como a pressão venosa central (PVC), que tem baixa acurácia para prever a responsividade a fluidos. A ultrassonografia da VCI, juntamente com outros parâmetros como o débito cardíaco e a variação do volume sistólico, permite uma abordagem mais individualizada da reposição volêmica. O prognóstico melhora significativamente quando a ressuscitação é guiada por metas e adaptada à resposta do paciente, evitando intervenções excessivas ou insuficientes.

Perguntas Frequentes

Como a ultrassonografia da veia cava inferior (VCI) auxilia na avaliação volêmica?

A ultrassonografia da VCI avalia a responsividade a fluidos. Uma VCI colapsável (colabamento >50% durante a inspiração) sugere que o paciente é responsivo a fluidos e pode se beneficiar de expansão volêmica, indicando hipovolemia.

Quais são as limitações da pressão venosa central (PVC) na avaliação volêmica?

A PVC é um indicador de pressão e não de volume. É influenciada por múltiplos fatores (pressão intratorácica, complacência ventricular) e tem baixa acurácia para prever a responsividade a fluidos, não devendo ser usada como único guia para reposição volêmica.

Quais outras causas de instabilidade hemodinâmica devem ser consideradas no pós-operatório de esplenectomia?

Além do sangramento, outras causas incluem choque séptico (embora menos provável em 12h), choque cardiogênico, choque neurogênico (se trauma associado), reações alérgicas ou outras complicações cirúrgicas não hemorrágicas.

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