MedEvo Simulado — Prova 2026
Uma paciente de 76 anos, viúva, que reside sozinha e mantém boa autonomia para atividades domésticas, comparece à consulta na Unidade Básica de Saúde acompanhada pela filha. A filha relata preocupação pois a mãe sofreu dois episódios de quedas nos últimos seis meses, ambos dentro de casa, sem perda de consciência ou fraturas aparentes. Durante a anamnese, a paciente relata que faz uso regular de hidroclorotiazida 25 mg para hipertensão e alprazolam 0,5 mg à noite para insônia. Ao exame físico, apresenta pressão arterial de 130x80 mmHg, sem hipotensão postural. O exame neurológico não revela déficits focais, mas nota-se uma marcha levemente mais lenta e base um pouco alargada. Considerando os princípios da Avaliação Geriátrica Ampla (AGA) para o manejo de quedas, a conduta inicial mais adequada é:
Quedas recorrentes + Benzodiazepínicos → Avaliar mobilidade (TUG) + Desmame gradual da medicação.
A conduta em quedas recorrentes exige avaliação funcional da marcha e equilíbrio (TUG) associada à revisão da polifarmácia, priorizando a retirada de psicotrópicos.
A instabilidade postural e as quedas são consideradas gigantes da geriatria, refletindo frequentemente o declínio de múltiplos sistemas. A Avaliação Geriátrica Ampla (AGA) permite uma abordagem multidimensional, indo além do diagnóstico puramente clínico para focar na funcionalidade. No caso clínico apresentado, a presença de benzodiazepínicos e alterações na marcha (base alargada) são alvos prioritários de intervenção. O desmame de psicotrópicos reduz significativamente o risco de novos eventos, enquanto o TUG direciona a necessidade de reabilitação física.
O teste Timed Up and Go (TUG) é uma ferramenta essencial na Avaliação Geriátrica Ampla (AGA) para quantificar a mobilidade funcional. O paciente deve levantar-se de uma cadeira, caminhar 3 metros, virar-se, voltar e sentar-se. Tempos superiores a 12-14 segundos indicam alto risco de quedas. Ele avalia força de membros inferiores, equilíbrio dinâmico e velocidade de marcha, permitindo intervenções direcionadas como fisioterapia ou uso de dispositivos auxiliares.
Benzodiazepínicos, como o alprazolam, estão fortemente associados ao aumento do risco de quedas e fraturas em idosos devido a efeitos colaterais como sedação excessiva, ataxia, relaxamento muscular e prejuízo cognitivo. Segundo os Critérios de Beers, são medicamentos potencialmente inapropriados. O desmame deve ser gradual para evitar síndrome de abstinência e rebote de insônia, sendo a intervenção não farmacológica a primeira linha para distúrbios do sono nessa população.
A avaliação deve ser multifatorial, incluindo história detalhada das quedas (circunstâncias, sintomas associados), revisão da medicação (foco em anti-hipertensivos e psicotrópicos), avaliação da visão, exame neurológico e musculoesquelético, além da avaliação do ambiente domiciliar. A identificação de fatores de risco modificáveis, como hipotensão ortostática e deficiência de vitamina D, é crucial para a prevenção secundária.
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