FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2016
O médico de família e comunidade recebeu uma denúncia de maus tratos contra uma idosa de sua comunidade. Dona Maria tem 82 anos, e os vizinhos acusam sua nora de não alimentá-la e prendê-la em casa. Na visita domiciliar, a nora refere que a paciente está muito agitada, não toma banho, perde-se na rua, esquece o que comeu, não consegue dormir a noite e chama pelos seus pais já falecidos. Veio morar com seu filho e sua nora há 1 ano, na mesma época em que parou de fumar e beber, o que fazia regularmente. Ao exame físico: desorientada temporo-espacialmente, desidratada, emagrecida e hipocorada. Ritmo cardíaco irregular. Sem alterações respiratórias . Perda urinária involuntária. Pressão arterial 170X90 mmHg. A nora refere que a paciente faz uso das seguintes medicações: Captopril 25 mg/dia, hidroclorotiazida 50 mg/dia, Diazepam 20 mg/dia e digoxina 0,25 mg/dia. Apresenta exames recentes: Hemoglobina 9,5; Hematócrito 27, VCM 102, sorologias de sífilis e HIV negativas, RMN de crânio com atrofia cerebral severa. Qual diagnóstico pode ser excluído com base nos dados apresentados?
Idoso com múltiplos diagnósticos (demência, anemia, intoxicação digitálica) que explicam o quadro → Violência contra o idoso não é excluída mas não confirmada pelos dados médicos.
Embora haja uma denúncia de maus tratos, os dados clínicos e laboratoriais apresentados (atrofia cerebral severa, anemia macrocítica, uso de digoxina com arritmia e sintomas neuropsiquiátricos) fornecem explicações médicas robustas para os achados de desorientação, emagrecimento, desidratação e agitação, tornando a violência não confirmada pelos dados médicos diretos.
A avaliação de pacientes idosos é frequentemente complexa devido à polifarmácia, comorbidades múltiplas e apresentações atípicas de doenças. A denúncia de violência contra o idoso é um alerta importante, mas é crucial realizar uma investigação médica completa para diferenciar entre causas orgânicas e negligência/abuso. No caso apresentado, a paciente possui múltiplos fatores de risco e achados que apontam para diagnósticos médicos robustos: atrofia cerebral severa e sintomas neuropsiquiátricos sugerem demência avançada (Alzheimer); anemia macrocítica indica anemia megaloblástica; e o uso de digoxina em dose elevada para idosa, associado a arritmia e sintomas neuropsiquiátricos, levanta forte suspeita de intoxicação digitálica. Embora a denúncia de violência deva ser sempre investigada, os dados clínicos e laboratoriais fornecem explicações plausíveis para todos os achados da paciente. Portanto, no contexto de uma questão que pede o que pode ser "excluído" com base nos dados médicos, a violência contra o idoso, embora uma preocupação, não é o diagnóstico que os dados excluem, mas sim aquele que não é confirmado pelos achados médicos diretos, sendo os outros diagnósticos fortemente suportados.
Em idosos, a intoxicação digitálica pode manifestar-se com arritmias cardíacas (bradicardia, extrassístoles, bloqueios), sintomas gastrointestinais (náuseas, vômitos, anorexia) e neuropsiquiátricos (confusão, desorientação, alucinações).
Pacientes com demência avançada frequentemente apresentam dificuldades na alimentação e hidratação devido à perda de memória, apraxia, disfagia e recusa alimentar, levando a desnutrição e desidratação.
A anemia megaloblástica é caracterizada por anemia (Hb e Ht baixos) com macrocitose (VCM elevado, geralmente >100 fL), devido à deficiência de vitamina B12 ou folato.
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