Avaliação Funcional para Lobectomia: Diretrizes ERS/ESTS

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025

Enunciado

Homem de 67 anos será submetido a uma lobectomia superior esquerda para tratamento de um carcinoma escamoso. AP: tabagista 25 anos-maço, nega outras patologias. Exames de avaliação pulmonar: VEF1 - 72% do predito, DLCO: 75% do predito. De acordo com os guidelines europeus da European Respiratory Society and European Society of Thoracic Surgeons, assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) O paciente pode ser submetido a lobectomia superior esquerda sem necessidade de outros testes.
  2. B) O paciente não tem reserva pulmonar para ser submetido a lobectomia superior esquerda.
  3. C) O paciente deve ser submetido à coleta de gasometria arterial, teste de Shuttle e teste de escada, para complementar a avaliação.
  4. D) O paciente deve ser submetido a um teste cardiopulmonar de exercício, para obtenção do VO2 máx.

Pérola Clínica

VEF1 ou DLCO < 80% → Realizar teste de esforço (Escada/Shuttle ou CPET/VO2 máx).

Resumo-Chave

Segundo os guidelines europeus, se os valores de VEF1 ou DLCO forem inferiores a 80% do predito, é necessária uma avaliação funcional de esforço para determinar a segurança da ressecção pulmonar.

Contexto Educacional

A avaliação da operabilidade em pacientes com câncer de pulmão é um equilíbrio entre a necessidade de ressecção oncológica e a preservação da qualidade de vida pós-operatória. O algoritmo ERS/ESTS é o mais utilizado mundialmente. Ele enfatiza que a função mecânica (VEF1) e a função de troca gasosa (DLCO) devem ser avaliadas em conjunto. Residentes devem estar atentos que o tabagismo e a DPOC frequentemente reduzem esses parâmetros, tornando o teste de esforço a ferramenta decisiva para evitar a 'mutilação respiratória' ou a morte perioperatória.

Perguntas Frequentes

Quando um paciente pode ir direto para lobectomia sem testes adicionais?

De acordo com as diretrizes da European Respiratory Society (ERS) e da European Society of Thoracic Surgeons (ESTS), um paciente pode ser submetido à ressecção pulmonar sem testes de exercício adicionais se tanto o VEF1 (Volume Expiratório Forçado no 1º segundo) quanto a DLCO (Capacidade de Difusão de Monóxido de Carbono) forem maiores ou iguais a 80% do valor predito. No caso clínico apresentado, o VEF1 é 72% e a DLCO é 75%, ambos abaixo do ponto de corte, exigindo investigação complementar.

Qual a importância do VO2 máx na avaliação pré-operatória?

O VO2 máx, obtido através do teste cardiopulmonar de exercício (CPET), é o padrão-ouro para avaliar a reserva funcional global (cardíaca, pulmonar e muscular). Valores de VO2 máx > 20 ml/kg/min indicam baixo risco cirúrgico, permitindo até pneumonectomia. Valores < 10 ml/kg/min indicam alto risco de mortalidade, contraindicando ressecções maiores. Valores intermediários exigem cálculos de função pós-operatória prevista (ppoVEF1 e ppoDLCO).

Quais são os testes de 'baixo custo' que podem substituir o CPET?

Os testes de triagem iniciais para pacientes com VEF1 ou DLCO < 80% são o teste de subida de escada (stair-climbing test) e o teste de caminhada (shuttle walk test). Se o paciente consegue subir mais de 22 metros de escada ou caminhar mais de 400 metros no shuttle test, ele é considerado de baixo risco. Caso contrário, o teste cardiopulmonar formal (CPET) com medida de VO2 máx torna-se obrigatório para a decisão final sobre a operabilidade.

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