Autonomia vs Independência na Avaliação Geriátrica Ampla

PMSO - Prefeitura Municipal de Sorocaba (SP) — Prova 2019

Enunciado

Paciente masculino de 82 anos é conduzido por familiares à UBS no dia de consulta agendada. No momento da consulta, familiares informaram que paciente perdeu sua cônjuge há cerca de 06 anos e que sempre foi de "personalidade difícil", porém no último ano, identificaram que o paciente tem se mostrado mais resistente à solicitações, apresentado esquecimentos frequentes e utilização inadequada de alguns objetos de uso habitual; além disto, vem se queixando com frequência de que não é alimentado - apesar de familiares informarem que fornecem sua alimentação de forma regular e que, inclusive, paciente tem apresentado engasgos com mais frequência, principalmente com líquidos; Familiares informam que paciente consegue se alimentar, se banhar, se vestir, se movimentar, ir ao banheiro e controlar suas eliminações fisiológicas - sendo que, nos últimos meses, identificaram episódios de diarreias cada vez mais frequentes, sem relação com algum fator desencadeante. Não há queixas pulmonares, nem sobre a quantidade e aspecto de diurese. Durante exame físico, P=54 kg. H=175 cm, perímetro da panturrilha de 28 cm; paciente encontrava-se descorado 2+/4+, com tônus muscular reduzido e abaulamento palpável (e ligeiramente doloroso) em quadrante inferior direito do abdome, Toque retal, mostrava uma próstata ligeiramente aumentada, porém, sem nodulações - também não identificado tumorações ou sangue nas fezes. O Mini Exame do Estado Mental (MEEM) mostrou prejuízos na orientação temporal, nos cálculos, nas evocações, na repetição, no comando verbal e na cópia do desenho. Em relação ao aspecto funcional, este idoso:

Alternativas

  1. A) Apresenta independência e autonomia preservada.
  2. B) Apresenta dependência, porém está com a autonomia preservada.
  3. C) Apresenta dependência parcial e autonomia com restrições.
  4. D) Apresenta dependência e falta de autonomia.
  5. E) Apresenta independência, porém, encontra-se com prejuízo em sua autonomia.

Pérola Clínica

Independência = execução (física); Autonomia = decisão (cognitiva). MEEM ↓ indica perda de autonomia.

Resumo-Chave

O paciente mantém independência física (Katz preservado), mas o declínio cognitivo evidenciado pelo MEEM e comportamentos inadequados caracteriza perda de autonomia decisória.

Contexto Educacional

A avaliação funcional é o pilar da geriatria, indo além do diagnóstico de doenças. Ela se divide em atividades básicas (Katz), instrumentais (Lawton) e avançadas de vida diária. O caso demonstra um idoso com independência física mantida para atividades básicas, mas com sinais claros de síndrome demencial (esquecimentos, uso inadequado de objetos, alteração de personalidade) que comprometem sua autonomia. A presença de disfagia e provável fecaloma (massa em QID com diarreia paradoxal) são complicações comuns da fragilidade e do declínio cognitivo.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre autonomia e independência no idoso?

Na geriatria, autonomia refere-se à capacidade de autogoverno, tomada de decisão e comando sobre a própria vida, estando intimamente ligada à cognição. Já a independência é a capacidade de realizar atividades sem auxílio de terceiros, relacionada à execução física. Um idoso pode ser fisicamente independente (consegue se vestir e banhar) mas não ter autonomia devido a uma demência avançada que impede decisões seguras.

Como o MEEM auxilia na avaliação da autonomia?

O Mini Exame do Estado Mental (MEEM) é uma ferramenta de rastreio cognitivo que avalia orientação, memória, atenção, cálculo e linguagem. Pontuações abaixo do ponto de corte (ajustado pela escolaridade) sugerem comprometimento cognitivo que frequentemente impacta a autonomia, pois o indivíduo perde a capacidade de processar informações complexas e tomar decisões fundamentadas sobre sua saúde e finanças.

O que sugere a panturrilha de 28 cm neste paciente?

Uma circunferência de panturrilha menor que 31 cm é um marcador clínico importante para o diagnóstico de sarcopenia e desnutrição no idoso, conforme os critérios do EWGSOP2. No caso clínico, associado ao baixo peso e perda de tônus, indica fragilidade física, embora o paciente ainda execute as atividades básicas de vida diária de forma independente.

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