USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2025
Homem, 42 anos de idade, previamente saudável, comparece com queixa de dor torácica aguda retroesternal há seis horas. Nega dispneia, tosse ou febre. Troponina I ultrassensível: 100 ng/L (VR < 20 ng/L). O ECG é apresentado a seguir: O próximo passo mais adequado na investigação deste paciente é:
Dor torácica + Troponina ↑ + ECG não diagnóstico → Ecocardiograma para avaliar motilidade segmentar.
Em pacientes com dor torácica e troponina elevada, mas sem supra de ST óbvio, o ecocardiograma é o próximo passo ideal para avaliar alterações de contratilidade segmentar e diagnósticos diferenciais.
A abordagem da dor torácica na emergência exige rapidez e precisão. Após o ECG e a dosagem de troponina, a estratificação de risco direciona o manejo. Em casos onde há elevação de troponina sem supradesnivelamento do segmento ST (IAMSSST), a avaliação da função cardíaca global e segmentar pelo ecocardiograma fornece subsídios críticos. A presença de hipocinesia ou acinesia em um território coronariano específico reforça a suspeita de síndrome coronariana aguda. Por outro lado, uma contratilidade preservada ou alterações difusas podem sugerir causas não isquêmicas. O ecocardiograma à beira-leito (POCUS) tornou-se uma extensão do exame físico, permitindo triagens rápidas e seguras antes de procedimentos invasivos como a cineangiocoronariografia.
O ecocardiograma é uma ferramenta essencial na emergência para pacientes com dor torácica. Ele permite a identificação imediata de alterações na motilidade segmentar da parede ventricular, que sugerem isquemia miocárdica ou infarto, mesmo na ausência de alterações clássicas no ECG. Além disso, é fundamental para o diagnóstico diferencial, permitindo visualizar sinais de dissecção de aorta (como flap intimal), derrame pericárdico/tamponamento, embolia pulmonar (sinais de sobrecarga de VD) ou miocardiopatias, auxiliando na decisão de condutas invasivas.
Não. A troponina é um marcador de lesão miocárdica, mas não é específica para infarto agudo do miocárdio (IAM) por doença coronariana aterosclerótica. Diversas condições podem elevar a troponina, incluindo miocardite, insuficiência cardíaca descompensada, tromboembolismo pulmonar, sepse, insuficiência renal e taquiarritmias. O diagnóstico de IAM exige a elevação do marcador associada a evidências clínicas de isquemia (sintomas, alterações eletrocardiográficas ou de imagem).
A Ressonância Magnética Cardíaca é o padrão-ouro para caracterização tecidual do miocárdio, sendo excelente para diferenciar IAM de miocardite ou síndrome de Takotsubo através do padrão de realce tardio pelo gadolínio. No entanto, a RMC raramente é o 'próximo passo' na emergência devido à sua menor disponibilidade e tempo de execução. Ela é geralmente indicada após a estabilização inicial ou quando o ecocardiograma e a cineangiocoronariografia não esclarecem o diagnóstico.
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