FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2023
Homem, 78 anos; eutrófico; bom nível de consciência; boa capacidade de articulação das palavras; bom padrão cardiorrespiratório e hemodinâmico; reside com os seus familiares; ao receber uma visita de Agentes Comunitários de Saúde (ACS), ele se queixa de certa dificuldade para conversar com os seus familiares em domicílio. Em face do exposto, assinale a alternativa correta:
Idoso com dificuldade de comunicação → investigar causas multifatoriais, não apenas orgânicas.
A queixa de dificuldade de comunicação em idosos, mesmo com boa articulação, exige uma investigação ampla. É crucial considerar fatores sociais, ambientais e emocionais, além das causas orgânicas como presbiacusia ou distúrbios neurológicos, para um cuidado integral na atenção primária.
A avaliação da comunicação em idosos é um pilar fundamental da geriatria e da atenção primária à saúde. A dificuldade de comunicação pode ser um sintoma inespecífico de diversas condições, desde problemas auditivos (como a presbiacusia, altamente prevalente em idosos) e visuais, até condições neurológicas, transtornos de humor como depressão, ou mesmo fatores sociais e ambientais que afetam a interação. É crucial que a equipe de saúde, especialmente os Agentes Comunitários de Saúde (ACS), realize uma investigação abrangente para identificar a causa raiz. A abordagem inicial deve ser holística, considerando o idoso em seu contexto familiar e social. Observar as interações domiciliares, a dinâmica familiar e o ambiente em que a comunicação ocorre pode revelar fatores importantes que não seriam percebidos em um ambiente clínico. A queixa de "dificuldade para conversar" pode não ser apenas um problema de fala ou audição, mas um reflexo de isolamento, desinteresse ou até mesmo uma forma de expressar angústia. O manejo adequado envolve não apenas o encaminhamento para especialistas (otorrinolaringologista, neurologista, psicólogo) quando indicado, mas também a intervenção no ambiente social e familiar. A promoção de um ambiente comunicativo favorável, o uso de tecnologias assistivas e o apoio psicossocial são tão importantes quanto o tratamento de condições médicas subjacentes para melhorar a qualidade de vida do idoso e de sua família.
Os primeiros passos incluem observar o ambiente familiar, a dinâmica das relações, e questionar sobre o início e o contexto da dificuldade, antes de focar apenas em causas orgânicas.
A equipe de ACS, por estar inserida no domicílio, tem uma visão privilegiada do contexto social e familiar do idoso, permitindo uma investigação mais holística das causas da dificuldade de comunicação.
Além de problemas neurológicos, causas comuns incluem presbiacusia (perda auditiva relacionada à idade), depressão, isolamento social, problemas de visão e até mesmo dinâmicas familiares disfuncionais.
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