UFF/HUAP - Hospital Universitário Antônio Pedro - Niterói (RJ) — Prova 2015
Mulher, 35 anos, G1P0, relata que não conseguiu engravidar após 14 meses mantendo relações sexuais regulares com seu marido. Exame físico não detecta alterações significativas e o índice de massa corporal calculado é de 28 kg/m². Paciente apresenta resultado de exame de sangue, que demonstra elevação do nível sérico de progesterona na segunda fase do ciclo menstrual. Diante desse quadro, a hipótese provável é a de que a paciente:
Progesterona elevada na fase lútea = evidência de ovulação e formação de corpo lúteo.
A elevação do nível sérico de progesterona na segunda fase do ciclo menstrual é um indicador confiável de que a ovulação ocorreu e que o corpo lúteo foi formado, produzindo progesterona. Isso exclui anovulação como causa da infertilidade neste caso.
A infertilidade é definida como a incapacidade de conceber após 12 meses de relações sexuais regulares e desprotegidas para mulheres com menos de 35 anos, ou 6 meses para mulheres com 35 anos ou mais. A investigação da infertilidade feminina é multifacetada e inclui a avaliação da ovulação, da reserva ovariana, da permeabilidade tubária e da anatomia uterina. A avaliação da ovulação é um passo fundamental. Um dos marcadores mais confiáveis de que a ovulação ocorreu é a elevação do nível sérico de progesterona na segunda fase do ciclo menstrual, conhecida como fase lútea. Após a ovulação, o folículo rompido se transforma em corpo lúteo, que é responsável pela produção de progesterona. Níveis de progesterona acima de um determinado limiar (geralmente > 3 ng/mL ou > 10 ng/mL, dependendo da referência) no meio da fase lútea confirmam a ocorrência da ovulação. No caso apresentado, a paciente, apesar da infertilidade, demonstra um ciclo ovulatório devido à elevação da progesterona na segunda fase. Isso significa que a anovulação não é a causa de sua infertilidade. A insuficiência de corpo lúteo, por outro lado, seria caracterizada por níveis de progesterona *insuficientes* para manter uma gravidez, e não por níveis elevados. Portanto, a investigação deve prosseguir para outras causas de infertilidade, como fatores tubários, masculinos, uterinos ou endometriose.
A dosagem de progesterona sérica na segunda fase do ciclo menstrual (geralmente no 21º dia de um ciclo de 28 dias) é o método mais comum para confirmar a ovulação. Níveis acima de 3 ng/mL (ou 10 ng/mL, dependendo do laboratório e contexto) são indicativos de que a ovulação ocorreu e que o corpo lúteo está funcionando.
Ter progesterona elevada na segunda fase do ciclo significa que houve ovulação e que o corpo lúteo, formado após a liberação do óvulo, está produzindo progesterona. Isso indica que a paciente tem um ciclo ovulatório, embora não garanta a qualidade do óvulo ou outros fatores de fertilidade.
Se a ovulação é confirmada, outras causas de infertilidade devem ser investigadas, como fatores tubários (obstrução das tubas uterinas), fatores masculinos (alterações no espermograma do parceiro), fatores uterinos (miomas, pólipos, malformações) e endometriose.
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