Avaliação Pré-operatória Cardiológica: Risco Cirúrgico

UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2022

Enunciado

Qual dos casos abaixo tem indicação de exames cardiológicos complementares para avaliação pré-operatória?

Alternativas

  1. A) Paciente feminina, de 25 anos, sem história de comorbidades ou de uso de medicamentos, que se encontra internada para colocação de prótese mamária eletiva.
  2. B) Paciente masculino, de 42 anos, com história de infecção pelo HIV (em uso de dolutegravir, lamivudina e tenofovir), hipertensão arterial (em uso de hidroclorotiazida) e diabetes melito (em uso de metformina), que se encontra internado para realização de postoplastia.
  3. C) Paciente feminina, de 46 anos, sem história de comorbidades, que se encontra internada para realização de duodenopancreatectomia por neoplasia de pâncreas.
  4. D) Paciente feminina, de 51 anos, sem uso prévio de medicamentos, com sopro cardíaco ao exame físico e insuficiência mitral leve revelada por ecocardiograma realizado há 6 meses, assintomática do ponto de vista cardíaco e respiratório, que será submetida a passagem de duplo J em decorrência de cálculo urinário.

Pérola Clínica

Cirurgia de alto risco (ex: duodenopancreatectomia) → sempre requer avaliação cardiológica complementar, mesmo sem comorbidades prévias.

Resumo-Chave

Pacientes submetidos a cirurgias de alto risco, como a duodenopancreatectomia, necessitam de avaliação cardiológica complementar detalhada, independentemente da presença de comorbidades conhecidas, devido ao estresse fisiológico significativo imposto pelo procedimento.

Contexto Educacional

A avaliação cardiológica pré-operatória é fundamental para estratificar o risco de eventos cardíacos adversos em cirurgias não cardíacas. Ela visa identificar pacientes com maior probabilidade de complicações e otimizar seu estado clínico antes do procedimento, reduzindo morbidade e mortalidade. As diretrizes atuais enfatizam a importância de considerar o risco intrínseco da cirurgia e as condições clínicas do paciente. O risco cirúrgico é classificado em baixo, intermediário e alto, sendo as cirurgias de grande porte abdominal ou torácica, como a duodenopancreatectomia, categorizadas como de alto risco. Nesses casos, mesmo pacientes sem comorbidades cardíacas conhecidas podem se beneficiar de exames complementares, como eletrocardiograma, ecocardiograma ou testes de estresse, para detectar doenças cardíacas subclínicas ou avaliar a reserva funcional. O manejo pré-operatório envolve a otimização de comorbidades, a suspensão ou ajuste de medicamentos e a discussão dos riscos e benefícios com o paciente. A decisão sobre quais exames complementares solicitar deve ser individualizada, baseada em escores de risco e nas diretrizes clínicas, sempre visando a segurança do paciente durante e após a cirurgia.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores que determinam a necessidade de avaliação cardiológica pré-operatória?

Os principais fatores incluem o tipo e o risco da cirurgia (baixo, intermediário, alto), a presença de comorbidades cardíacas ou sistêmicas do paciente, e a capacidade funcional.

Quando uma cirurgia é considerada de alto risco cardíaco?

Cirurgias de alto risco cardíaco são aquelas com mortalidade cardíaca >5%, como cirurgias vasculares de grande porte, transplantes, e grandes cirurgias abdominais ou torácicas (ex: duodenopancreatectomia).

Um paciente assintomático com sopro cardíaco sempre precisa de ecocardiograma pré-operatório?

Não necessariamente. Se o sopro for conhecido e a valvulopatia leve/moderada e assintomática, e a cirurgia de baixo risco, um novo ecocardiograma pode não ser indicado, especialmente se houver um exame recente.

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