INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2014
Uma mulher com 35 anos de idade procura atendimento na Unidade Básica de Saúde para tratamento de obesidade. Manifesta desejo de usar medicações para diminuir a sensação de fome, pois refere que uma vizinha está tendo bons resultados com o uso de medicamentos há vários meses. A paciente é casada, tem três filhos – o mais novo com dois anos – e atualmente não está trabalhando. Relata que ganhou muito peso durante a última gestação e que não conseguiu retornar ao peso anterior. Nega hipertensão ou diabetes. Não consegue fazer atividade física regular, pois tem dores na coluna e nos joelhos e diz que tem dificuldade em seguir dietas. O exame físico revela: peso = 78 Kg; altura = 1,62 m; Índice de massa corporal - IMC = 29,7 Kg/m²; pressão arterial = 130 × 80 mmHg; circunferência abdominal = 90 cm. O restante do exame físico não apresenta alterações significativas. Com base nessas informações, é correto afirmar que:
IMC ≥ 25 + CA aumentada (Mulher > 88cm) = ↑ Risco Cardiovascular.
O IMC de 29,7 indica sobrepeso, mas a circunferência abdominal de 90 cm em mulheres sinaliza adiposidade visceral e risco cardiometabólico aumentado, exigindo intervenção no estilo de vida.
A avaliação do paciente com excesso de peso deve ir além do IMC, que não diferencia massa magra de gordura. A circunferência abdominal é um marcador indireto de gordura visceral, que é metabolicamente ativa e pró-inflamatória, estando diretamente ligada à resistência insulínica e aterogênese. Nesta paciente, a presença de dores articulares (coluna e joelhos) e a circunferência de 90 cm reforçam a necessidade de perda ponderal para prevenir progressão para diabetes e eventos coronarianos. O manejo inicial deve focar em educação alimentar e adaptação de atividade física de baixo impacto, reservando medicamentos para casos de falha terapêutica ou progressão do IMC.
Segundo a OMS e as diretrizes brasileiras, valores de circunferência abdominal (CA) ≥ 80 cm em mulheres indicam risco aumentado, e CA ≥ 88 cm indicam risco muito aumentado para doenças cardiovasculares e metabólicas. No caso da paciente com 90 cm, o risco é significativamente elevado.
A farmacoterapia é indicada para pacientes com IMC ≥ 30 kg/m² (obesidade) ou IMC ≥ 27 kg/m² (sobrepeso) associado a comorbidades (como hipertensão, DM2 ou dislipidemia), sempre após falha em perder peso com mudanças no estilo de vida (dieta e exercícios).
Um IMC entre 25,0 e 29,9 kg/m² é classificado como sobrepeso (pré-obesidade). Embora não seja obesidade grau 1, já está associado a um aumento de morbimortalidade, especialmente se houver acúmulo de gordura visceral (abdominal).
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