FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2020
Paciente de 60 anos admitido no pronto-socorro com dor torácica atípica se recusa a fazer o exame de cateterismo coronariano. Qual a atitude mais coerente a ser tomada?
Paciente recusa procedimento → Respeitar autonomia e otimizar tratamento clínico e controle de fatores de risco.
A recusa do paciente a um procedimento médico, como o cateterismo, deve ser respeitada, desde que ele esteja lúcido e capaz de tomar decisões. Nesses casos, a conduta mais coerente é otimizar o tratamento clínico e o controle dos fatores de risco, oferecendo a melhor alternativa terapêutica disponível e não invasiva.
A prática médica moderna é pautada não apenas na ciência, mas também na ética, sendo a autonomia do paciente um pilar fundamental. A situação de um paciente que recusa um procedimento diagnóstico ou terapêutico, mesmo que considerado essencial pela equipe médica, é um dilema comum no pronto-socorro e na prática clínica. A epidemiologia da doença coronariana mostra que a dor torácica é uma queixa frequente, e o cateterismo coronariano é um exame invasivo padrão-ouro para o diagnóstico e tratamento de muitas condições cardíacas. No entanto, o direito do paciente de recusar tratamento, desde que esteja lúcido, orientado e capaz de tomar decisões informadas, deve ser respeitado. A fisiopatologia da dor torácica atípica pode ser variada, e nem sempre indica uma síndrome coronariana aguda que exija intervenção imediata. Nesses casos, a conduta mais coerente é garantir que o paciente esteja bem informado sobre os riscos e benefícios de sua decisão, e então oferecer o melhor tratamento clínico possível, focando no controle rigoroso dos fatores de risco cardiovascular (hipertensão, diabetes, dislipidemia, tabagismo, sedentarismo) e na otimização da terapia medicamentosa. Insistir categoricamente em um procedimento contra a vontade do paciente viola princípios éticos e pode gerar desconfiança. Residentes devem ser treinados para lidar com essas situações complexas, priorizando a comunicação efetiva, o respeito à autonomia e a oferta de alternativas terapêuticas que se alinhem com as escolhas do paciente, garantindo sempre a melhor qualidade de cuidado possível dentro dos limites impostos pela decisão do indivíduo.
A recusa de tratamento por um paciente é regida pelo princípio da autonomia, que garante o direito do indivíduo de tomar decisões sobre sua própria saúde. Para que a recusa seja válida, o paciente deve ser capaz de tomar decisões, estar bem informado sobre os riscos e benefícios, e sua decisão deve ser voluntária.
É fundamental estabelecer uma comunicação clara e empática, garantindo que o paciente compreenda plenamente sua condição, os riscos de não realizar o procedimento e as alternativas disponíveis. Deve-se tentar entender as razões da recusa e, se a decisão for mantida, oferecer o melhor tratamento clínico e suporte possível dentro das escolhas do paciente.
Embora o cateterismo seja crucial para diagnóstico e tratamento em muitas síndromes coronarianas agudas, em pacientes com dor torácica atípica ou doença coronariana estável, o manejo clínico otimizado com controle rigoroso de fatores de risco (hipertensão, diabetes, dislipidemia, tabagismo) e medicamentos pode ser uma alternativa eficaz, especialmente se o paciente recusa procedimentos invasivos.
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