Ética Médica: Autonomia do Paciente e Más Notícias

FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2016

Enunciado

Uma senhora de 56 anos de idade chamada Roberta foi internada na Santa Casa de sua cidade após ter sido avaliada no pronto- socorro, por três vezes, nos últimos dois meses. Apresenta dor com aumento progressivo do volume e distensão abdominal. A ultrassonografia mostra massa anexial. No procedimento cirúrgico foram retirados, aproximadamente, quatro litros de líquido da cavidade, o tumor estava aderido e com metástases no peritônio e órgãos próximos, sendo parcialmente retirado, sem mexer nas metástases. No pós- operatório, Roberta sentia se revigorada, sem dores e bastante consciente. O médico assistente conversou com a família logo após a cirurgia, que lhe solicitou não contasse sobre o tumor para Roberta, pois, sempre alegre e disposta, temia -se que ficasse depressiva. O médico, ansioso com a situação, apesar do pedido da família, contou a Roberta sobre seu estado de saúde e o prognóstico de forma técnica, impessoal. A ética e postura terapêutica adequada do médico assistente é 

Alternativas

  1. A) não contar a Roberta sobre sua doença, seguindo o pedido da família, mantendo o suporte técnico e orientando cuidados paliativos.
  2. B) não contar a Roberta sobre sua doença, seguindo o pedido da família, orientando tratamentos como rádio e quimioterapia.
  3. C) contar a Roberta sobre sua doença, orientando riscos terapêuticos, também à família, sobre possibilidades de tratamento, sobre cuidados paliativos e sobre os estágios da morte.
  4. D) contar a Roberta sobre sua doença, indicando e incentivando o tratamento em busca da cura da doença.
  5. E) não contar a Roberta sobre sua doença, seguindo o pedido da família; orientar a família sobre as possibilidades terapêuticas e sobre cuidados paliativos, inclusive das fases da morte.

Pérola Clínica

Autonomia do paciente prevalece: informar sobre prognóstico, tratamentos e cuidados paliativos, mesmo com pedido familiar de omissão.

Resumo-Chave

O princípio da autonomia do paciente exige que ele seja informado sobre seu diagnóstico e prognóstico, permitindo-lhe participar das decisões sobre seu tratamento. A comunicação deve ser empática, clara e completa, abordando opções terapêuticas, cuidados paliativos e o processo de finitude, envolvendo a família de forma colaborativa.

Contexto Educacional

A comunicação de más notícias e a garantia da autonomia do paciente são pilares essenciais da ética médica, especialmente em casos de doenças graves e com prognóstico reservado. Residentes devem ser treinados para lidar com essas situações complexas, onde a sensibilidade, a empatia e o respeito aos direitos do paciente são primordiais. O Código de Ética Médica brasileiro reforça o direito do paciente à informação. No caso de Roberta, apesar do pedido da família, a paciente estava consciente e orientada, o que lhe confere o direito à informação completa sobre sua doença e prognóstico. O médico deve comunicar a verdade de forma clara, mas empática, oferecendo suporte e espaço para que a paciente processe a informação e participe das decisões. A comunicação não deve ser impessoal ou excessivamente técnica, mas adaptada à compreensão do paciente. Além de informar sobre o diagnóstico e as opções de tratamento (incluindo a limitação da cura e a importância dos cuidados paliativos), é fundamental discutir os estágios da doença e da finitude, permitindo que o paciente planeje sua vida e suas escolhas. A família deve ser envolvida nesse processo, recebendo também informações e suporte, mas sempre respeitando a vontade do paciente como prioridade.

Perguntas Frequentes

Qual o princípio ético fundamental na comunicação de um diagnóstico grave?

O princípio fundamental é a autonomia do paciente, que garante seu direito de ser informado sobre sua condição de saúde, prognóstico e opções de tratamento, para que possa tomar decisões conscientes e participar ativamente do seu cuidado.

Como o médico deve proceder quando a família solicita a omissão de informações ao paciente?

O médico deve buscar entender as preocupações da família, mas priorizar a autonomia do paciente. Deve-se tentar mediar a situação, explicando a importância da informação para o paciente e buscando uma forma de comunicação que respeite a todos, sem violar o direito do paciente.

Qual o papel dos cuidados paliativos em casos de câncer avançado?

Os cuidados paliativos visam melhorar a qualidade de vida do paciente e de sua família diante de uma doença que ameaça a vida, através da prevenção e alívio do sofrimento, abordando aspectos físicos, psicossociais e espirituais, desde o diagnóstico.

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