Autonomia do Paciente Terminal: Respeito e Cuidados Paliativos

UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2025

Enunciado

Paciente de 85 anos, portador de hepatopatia crônica por vírus B. É internado devido a rebaixamento do nível de consciência. Encontra-se constipado há 3 dias, mesmo com o uso correto da lactulose prescrita. Ao exame físico, encontra-se em regular estado geral, sarcopênico, ictérico +/4, eupneico, afebril, hidratado, Glasgow 12, flapping presente, abdome globoso com piparote +. MELD-Na: 22. Esta é a 3ª internação em 6 meses por encefalopatia hepática. Desde a última alta hospitalar há 15 dias, o paciente ficou mais acamado e mais dependente e aceitando cada vez menos a alimentação via oral por causa da sonolência. Filho do paciente relata que na última internação o pai tinha solicitado para não realizarem mais medidas invasivas, inclusive a hospitalização, mas os filhos gostariam que todos os procedimentos necessários fossem realizados. A conduta mais adequada diante desse caso é

Alternativas

  1. A) passar sonda nasoenteral.
  2. B) realizar a lavagem transretal.
  3. C) acionar o apoio jurídico do hospital.
  4. D) encaminhar para transplante hepático.
  5. E) ofertar apoio aos filhos sobre terminalidade.

Pérola Clínica

Paciente terminal com diretivas prévias → Respeitar autonomia e oferecer suporte familiar sobre terminalidade.

Resumo-Chave

Em pacientes com doença terminal e histórico de diretivas antecipadas de vontade, a autonomia do paciente deve ser priorizada. A equipe médica deve comunicar-se com a família, explicando a condição do paciente e as limitações terapêuticas, focando em cuidados paliativos e conforto.

Contexto Educacional

A discussão sobre terminalidade e diretivas antecipadas de vontade é um pilar fundamental da ética médica, especialmente em pacientes idosos com doenças crônicas descompensadas. A autonomia do paciente, um dos quatro princípios da bioética, garante o direito do indivíduo de tomar decisões sobre seu próprio corpo e tratamento, mesmo que essas decisões difiram das recomendações médicas ou dos desejos da família. As diretivas antecipadas de vontade (DAV), como o testamento vital, são instrumentos legais que permitem ao paciente expressar suas preferências de tratamento para o futuro. A fisiopatologia da encefalopatia hepática em pacientes com hepatopatia crônica avançada reflete a incapacidade do fígado de metabolizar toxinas, como a amônia, levando a disfunção cerebral. Episódios recorrentes e a progressão da doença, como indicado pelo MELD-Na elevado e o declínio funcional, sugerem um prognóstico reservado. Nesses cenários, o foco da assistência deve mudar da cura para o conforto e a qualidade de vida. A conduta mais adequada envolve respeitar as diretivas do paciente, mesmo que verbais e prévias, e engajar a família em um diálogo aberto e empático sobre a terminalidade da doença e os objetivos dos cuidados. Oferecer apoio psicológico e social aos filhos, explicando a irreversibilidade do quadro e a importância de honrar os desejos do pai, é crucial. A equipe de saúde deve atuar como mediadora, facilitando a compreensão e a aceitação da situação, e direcionando os cuidados para uma abordagem paliativa que priorize o conforto e a dignidade do paciente.

Perguntas Frequentes

O que são diretivas antecipadas de vontade (DAV)?

DAV são documentos legais onde uma pessoa expressa suas preferências sobre tratamentos médicos futuros, caso se torne incapaz de tomar decisões, garantindo que seus desejos sejam respeitados no fim da vida.

Como lidar com o conflito entre a vontade do paciente e da família?

A vontade do paciente, expressa em DAV ou verbalmente quando lúcido, deve prevalecer. A equipe deve mediar, educar a família sobre a condição e prognóstico, e oferecer apoio psicológico para facilitar a aceitação.

Qual o papel dos cuidados paliativos em casos de terminalidade?

Cuidados paliativos visam melhorar a qualidade de vida do paciente e de sua família, aliviando o sofrimento físico, psicossocial e espiritual, sem focar na cura da doença, mas sim no conforto e dignidade.

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