HMTJ - Hospital e Maternidade Therezinha de Jesus (MG) — Prova 2019
Paciente, testemunha de Jeová, apresenta-se com sepse de foco abdominal. Está lucido e recusa-se a tomar hemoderivados, mesmo com hemoglobina de 8 g/dL, saturação venosa central de 80% e noradrenalina 0,1 mcg/Kg/min, mantendo pressão arterial média de 66 mmHg. A melhor conduta é:
Em sepse, a transfusão de hemácias é indicada para Hb < 7 g/dL ou sinais de hipóxia tecidual; Hb 8 g/dL com SvO2 80% e PAM 66 mmHg não indica transfusão imediata, respeitando autonomia.
A autonomia do paciente é um princípio ético fundamental, e a recusa de transfusão por Testemunhas de Jeová deve ser respeitada, desde que o paciente esteja lúcido e capaz de tomar decisões. No contexto de sepse, as diretrizes atuais recomendam uma estratégia transfusional restritiva, com transfusão de hemácias geralmente indicada para hemoglobina < 7 g/dL, a menos que haja sinais claros de hipóxia tecidual. Com Hb de 8 g/dL e SvO2 de 80%, não há indicação transfusional imediata.
A situação de um paciente Testemunha de Jeová que recusa transfusão sanguínea, mesmo em um contexto de sepse grave, é um dilema ético e clínico frequente na prática médica. Para o residente, é fundamental compreender os princípios da autonomia do paciente e as diretrizes de manejo da sepse. A autonomia do paciente lúcido e capaz de decidir é um direito inalienável e deve ser respeitada, mesmo que a decisão possa parecer contrária ao "melhor interesse" médico. No contexto da sepse, as diretrizes atuais (Surviving Sepsis Campaign) preconizam uma estratégia transfusional restritiva. A transfusão de concentrado de hemácias é geralmente indicada quando a hemoglobina (Hb) está abaixo de 7 g/dL, com o objetivo de manter uma Hb entre 7 e 9 g/dL. A SvO2 de 80% indica que a oferta de oxigênio é adequada para a demanda tecidual, e a PAM de 66 mmHg, embora no limite inferior, está sendo mantida com noradrenalina. Portanto, com Hb de 8 g/dL e SvO2 de 80%, não há uma indicação formal e imediata de transfusão de hemácias segundo as diretrizes. A conduta correta é não administrar o concentrado de hemácias, pois não há uma indicação clínica clara que justifique a transfusão no momento, e a autonomia do paciente deve ser preservada. Solicitar intervenção jurídica ou administrar a transfusão à força seria uma violação ética e legal. O foco deve ser em otimizar outras medidas de suporte e considerar alternativas para o manejo da anemia, como eritropoietina e ferro, se apropriado.
As diretrizes recomendam uma estratégia transfusional restritiva, com transfusão de hemácias geralmente indicada quando a hemoglobina cai abaixo de 7 g/dL, a menos que haja evidências de hipóxia tecidual grave ou condições específicas.
A autonomia do paciente lúcido e capaz de tomar decisões deve ser respeitada. É fundamental dialogar, oferecer alternativas terapêuticas sem sangue e documentar claramente a decisão do paciente no prontuário.
As alternativas incluem otimização da volemia com cristaloides, uso de eritropoietina, ferro intravenoso, agentes hemostáticos (se houver sangramento), e técnicas de conservação de sangue, como recuperação intraoperatória.
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