Recusa de Transfusão Sanguínea: Ética e Alternativas

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2025

Enunciado

Durante consulta no serviço de hematologia de um hospital terciário, um homem de 72 anos reage com a seguinte argumentação diante da proposta terapêutica do médico: "Não, doutor, devido a minha crença, eu não posso receber sangue ". Ele está sendo atendido por síndrome mielodisplásica recentemente diagnosticada e, por questões religiosas, se recusa a aderir à proposta terapêutica de hemotransfusões periódicas. Diante desse cenário, o médico deve

Alternativas

  1. A) adiar a decisão de transfusão até uma situação de maior gravidade, em que tenha maior poder de convencimento.
  2. B) respeitar a autonomia do paciente, buscando outras formas de lidar com a anemia, como a administração de eritropoietina.
  3. C) insistir na argumentação da necessidade da terapia transfusional, mostrando evidências científicas que comprovam o seu benefício.
  4. D) buscar apoio do comitê de ética médica da unidade hospitalar para o convencimento do paciente sobre a necessidade das transfusões.

Pérola Clínica

Recusa de transfusão por crença religiosa → respeitar autonomia + buscar alternativas terapêuticas.

Resumo-Chave

A autonomia do paciente é um pilar fundamental da ética médica, mesmo quando suas escolhas divergem da conduta padrão. Em casos de recusa de hemotransfusão por crença religiosa, o médico deve respeitar essa decisão e, sempre que possível, explorar e oferecer alternativas terapêuticas que se alinhem aos valores do paciente, como a eritropoietina para anemia na síndrome mielodisplásica.

Contexto Educacional

A autonomia do paciente é um dos quatro pilares da bioética médica, garantindo o direito do indivíduo de tomar decisões informadas sobre sua própria saúde e tratamento. A recusa de hemotransfusões por motivos religiosos, como no caso das Testemunhas de Jeová, é um desafio ético comum na prática médica, exigindo do profissional respeito e busca por soluções alternativas. O cenário apresentado envolve um paciente lúcido e capaz que, por suas crenças, recusa um tratamento padrão para sua síndrome mielodisplásica. A insistência ou tentativa de convencimento, mesmo com base em evidências científicas, desrespeita a autonomia. O médico deve dialogar, informar sobre os riscos e benefícios das opções, e explorar alternativas terapêuticas. Para pacientes com anemia que recusam transfusão, a administração de eritropoietina é uma alternativa viável para estimular a produção de glóbulos vermelhos, especialmente em síndromes mielodisplásicas. Outras opções incluem suplementação de ferro, vitamina B12 ou ácido fólico, conforme a etiologia da anemia. O foco deve ser sempre em preservar a vida e a saúde do paciente dentro dos limites de suas escolhas e valores.

Perguntas Frequentes

Quais os princípios éticos envolvidos na recusa de tratamento?

Os princípios incluem a autonomia do paciente (direito de decidir sobre seu corpo), a beneficência (fazer o bem), a não-maleficência (não causar dano) e a justiça. A autonomia prevalece quando o paciente é capaz e informado.

Quais alternativas à transfusão sanguínea podem ser consideradas em casos de anemia?

Dependendo da causa e gravidade da anemia, alternativas incluem eritropoietina, ferro intravenoso, vitamina B12, ácido fólico, expansores de volume sem sangue e técnicas de conservação de sangue do próprio paciente em cirurgias eletivas.

Quando a autonomia do paciente pode ser limitada em decisões médicas?

A autonomia pode ser limitada em situações de risco iminente de vida onde o paciente não tem capacidade de decisão (inconsciente, menor de idade sem responsável, sob efeito de substâncias) ou quando a decisão coloca em risco a vida de terceiros (ex: recusa de vacinação obrigatória em epidemia).

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