FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2023
Adolescente feminina, 16 anos, saudável, estudante de ensino médio, procura atendimento na Unidade Básica de Saúde, sem acompanhante. Refere que já iniciou a vida sexual e gostaria de fazer uso da pílula anticoncepcional, apesar de utilizar preservativo. O médico que atende diz que só pode prescrever o método pedido após falar com um de seus pais ou responsável legal. Em relação a conduta do médico aponte a alternativa correta:
Adolescente capaz de discernimento tem direito ao sigilo e autonomia em decisões de saúde sexual, sem necessidade de consentimento dos pais.
O Código de Ética Médica e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) garantem ao adolescente o direito à autonomia e ao sigilo em questões de saúde, especialmente as relacionadas à sexualidade, quando ele demonstra capacidade de discernimento. A comunicação aos pais só é permitida em situações de risco iminente à vida ou à saúde do adolescente.
O atendimento a adolescentes na área da saúde, especialmente em questões de sexualidade e reprodução, exige uma compreensão aprofundada dos princípios éticos e legais que regem a relação médico-paciente. No Brasil, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e o Código de Ética Médica garantem direitos fundamentais aos adolescentes, incluindo a autonomia e o sigilo. A autonomia do adolescente para tomar decisões sobre sua própria saúde é reconhecida quando ele demonstra capacidade de discernimento, ou seja, a habilidade de compreender a situação, as opções e as consequências de suas escolhas. Em casos de saúde sexual e reprodutiva, como a busca por métodos contraceptivos, a confidencialidade é um pilar essencial para estabelecer a confiança e garantir que o adolescente procure e receba o cuidado necessário. A comunicação aos pais ou responsáveis legais só deve ocorrer com o consentimento do adolescente ou em situações excepcionais de risco iminente à sua vida ou saúde, onde a intervenção dos pais seja crucial para a proteção do menor. A conduta do médico que exige a presença dos pais para prescrever um método contraceptivo a uma adolescente capaz de discernir sobre sua saúde sexual é inadequada, pois viola o direito ao sigilo e à autonomia da paciente.
Sim, um adolescente tem o direito de buscar atendimento médico sem a presença dos pais ou responsáveis, especialmente em questões relacionadas à saúde sexual e reprodutiva, desde que demonstre capacidade de discernimento para compreender a situação e tomar decisões.
O médico só pode quebrar o sigilo com um adolescente em situações de risco iminente à sua vida ou à sua saúde, e quando a comunicação aos pais ou responsáveis for essencial para a proteção do menor. Fora dessas circunstâncias, o sigilo deve ser mantido.
Os adolescentes têm direito à informação, orientação e acesso a métodos contraceptivos e serviços de saúde sexual e reprodutiva de forma confidencial, respeitando sua autonomia e capacidade de discernimento, conforme previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
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