Autolesão em Adolescentes: Reconheça e Aja

Santa Casa de Limeira (SP) — Prova 2024

Enunciado

Uma adolescente de 14 anos é levada à consulta por sua mãe; nenhuma das duas apresenta queixas. No decorrer do exame físico, o pediatra observa diversas escoriações lineares e superficiais no antebraço esquerdo, assim como algumas lesões arredondadas, que sugerem queimaduras. Sobre o manejo da situação assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) Uma vez que não há uBma queixa da adolescente ou de sua mãe, não deve ser considerada nenhuma abordagem sobre as lesões.
  2. B) Será necessário ampliar a investigação clínica, pesquisando violências, sofrimento emocional e comportamento suicida.
  3. C) Apenas pelo padrão das lesões, pode-se afirmar que se trata de um quadro de autolesão não suicida (ALNS).
  4. D) O pediatra deve questionar sobre comportamento suicida apenas se houver a devida autorização materna.

Pérola Clínica

Lesões suspeitas em adolescente (escoriações, queimaduras) → investigar ALNS, sofrimento emocional e risco suicida, mesmo sem queixa.

Resumo-Chave

A presença de lesões cutâneas atípicas ou múltiplas em adolescentes, como escoriações lineares ou queimaduras, exige uma investigação aprofundada. É crucial abordar a possibilidade de autolesão não suicida, sofrimento emocional e risco de suicídio, independentemente da ausência de queixas explícitas da paciente ou responsável, garantindo a segurança e bem-estar.

Contexto Educacional

A autolesão não suicida (ALNS) e o sofrimento emocional em adolescentes são questões de saúde pública crescentes, frequentemente subdiagnosticadas. É crucial que pediatras e profissionais de saúde estejam atentos a sinais sutis, como lesões cutâneas atípicas (escoriações lineares, queimaduras), que podem indicar um pedido de ajuda ou um mecanismo de enfrentamento inadequado. A fisiopatologia da ALNS está ligada a transtornos de humor, ansiedade, trauma e dificuldades de regulação emocional. O diagnóstico precoce e a abordagem empática são fundamentais. A investigação deve ser abrangente, incluindo rastreamento para violências, ideação suicida e histórico de saúde mental, sempre respeitando a autonomia e confidencialidade do adolescente, mas envolvendo os pais quando apropriado e seguro. O manejo envolve uma equipe multidisciplinar, com suporte psicológico e psiquiátrico, se necessário. O prognóstico melhora significativamente com a intervenção precoce e o estabelecimento de um ambiente de apoio. É vital evitar o julgamento e focar na construção de um vínculo de confiança para que o adolescente se sinta seguro para expressar suas dificuldades.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de autolesão não suicida em adolescentes?

Sinais incluem escoriações lineares, cortes superficiais, queimaduras, arranhões ou outras lesões autoinduzidas, frequentemente em locais de fácil acesso e ocultação, como antebraços e coxas, e podem ser repetitivas ou em padrões incomuns.

Qual a conduta inicial ao suspeitar de autolesão em um adolescente?

A conduta inicial é ampliar a investigação clínica, pesquisando sofrimento emocional, violências e comportamento suicida, sempre em um ambiente de acolhimento e sem julgamento, garantindo a privacidade do adolescente e a segurança.

Como diferenciar autolesão de lesões acidentais em adolescentes?

A autolesão geralmente apresenta um padrão repetitivo, simétrico ou em locais incomuns, com lesões de profundidade e formato semelhantes, enquanto lesões acidentais tendem a ser mais variadas, inconsistentes com a história relatada e em áreas mais expostas a traumas.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo