Autolesão e Suicídio na Adolescência: Sinais e Manejo

FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2022

Enunciado

Adolescente,15 anos, sexo masculino, vem à consulta com queixas de cefaleia e dor abdominal esporádicas. Durante a consulta, observam-se algumas lesões no antebraço do paciente, cicatrizadas. Perguntado o motivo das cicatrizes, ele refere serem machucados sem importância, mas, durante a consulta, expressa o desejo de se machucar para afastar pensamentos de tristeza. Sobre este fato, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) A autolesão na adolescência deve ser considerada uma manifestação da adolescência normal e não se deve enfatizar esse comportamento para evitar a repetição dele.
  2. B) Não há motivos para preocupação, pois o suicídio entre meninos é menor que entre meninas.
  3. C) O suicídio está aumentando na adolescência devido à maior vulnerabilidade desse grupo etário aos fatores de risco e necessita de manejo adequado.
  4. D) Não precisa se preocupar com esse caso, pois “Quem fala não comete suicídio”.
  5. E) Não se deve encaminhar esse paciente ao psicólogo, pois abordar na consulta pediátrica esse tema de maneira direta, como falar sobre suicídio, aumenta o número de casos.

Pérola Clínica

Autolesão e ideação suicida em adolescentes são sinais de alerta graves → necessitam de avaliação e manejo psiquiátrico/psicológico urgente.

Resumo-Chave

A autolesão e a expressão de desejo de se machucar para afastar pensamentos de tristeza são indicativos de sofrimento psíquico significativo e risco aumentado de suicídio na adolescência. É um mito que 'quem fala não comete suicídio' ou que abordar o tema aumenta o risco. Pelo contrário, a abordagem direta e o encaminhamento adequado são cruciais para a prevenção.

Contexto Educacional

A adolescência é uma fase de intensas transformações físicas, emocionais e sociais, que pode aumentar a vulnerabilidade a transtornos mentais e comportamentos de risco, como a autolesão e a ideação suicida. A autolesão não suicida (ANS) é um comportamento em que o indivíduo causa dano físico a si mesmo sem a intenção de morrer, frequentemente como uma forma de lidar com emoções intensas, tristeza ou angústia. Embora não seja diretamente uma tentativa de suicídio, a ANS é um forte preditor de risco suicida e um sinal claro de sofrimento psíquico que exige atenção. O suicídio é uma das principais causas de morte entre adolescentes e jovens adultos globalmente, e as taxas têm mostrado um aumento preocupante em muitos países. Fatores de risco incluem histórico de transtornos mentais (depressão, ansiedade, transtornos alimentares), abuso de substâncias, histórico familiar de suicídio, bullying, problemas familiares, isolamento social e acesso a meios letais. A ideia de que 'quem fala não comete suicídio' é um mito perigoso; a verbalização de pensamentos suicidas é um pedido de ajuda e deve ser levada a sério. O manejo adequado de um adolescente com autolesão ou ideação suicida envolve uma avaliação de risco abrangente, garantindo a segurança imediata do paciente e o encaminhamento urgente para serviços de saúde mental (psicólogo e/ou psiquiatra). A abordagem na consulta pediátrica deve ser direta, empática e sem julgamentos, criando um espaço seguro para o adolescente expressar seus sentimentos. É fundamental desmistificar a ideia de que falar sobre suicídio aumenta o risco; pelo contrário, a comunicação aberta e o suporte profissional são pilares da prevenção.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para autolesão e risco de suicídio em adolescentes?

Sinais incluem cicatrizes inexplicáveis, isolamento social, mudanças de humor, perda de interesse em atividades, expressão de desesperança, ideação suicida (falar sobre morte ou desejo de morrer), e comportamentos de risco. A autolesão, mesmo sem intenção suicida, é um forte preditor de risco.

Como um profissional de saúde deve abordar um adolescente com autolesão ou ideação suicida?

A abordagem deve ser empática, não julgadora e direta. Perguntar abertamente sobre pensamentos de suicídio não aumenta o risco, mas sim abre um canal de comunicação. É fundamental garantir a segurança do paciente e encaminhá-lo para avaliação e tratamento psiquiátrico ou psicológico especializado.

Qual o papel da família e da escola no apoio a adolescentes em risco?

A família e a escola são ambientes cruciais de suporte. Devem ser orientadas a observar mudanças de comportamento, oferecer um ambiente seguro e de apoio, e colaborar com os profissionais de saúde. A comunicação aberta e a redução do estigma em relação à saúde mental são essenciais.

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