CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2022
Em pacientes com diagnóstico de doença reumática autoimune como o lupus eritematoso sistêmico, com desejo de engravidar, quais os autoanticorpos que podem interferir diretamente na gravidez? Assinale a alternativa com as opções CORRETAS:
LES + gravidez → Rastrear anticoagulante lúpico, anti-beta2-glicoproteína I e anti-SSA/Ro para complicações fetais e maternas.
Em pacientes com lúpus eritematoso sistêmico (LES) e desejo de engravidar, é crucial investigar autoanticorpos como o anticoagulante lúpico e anti-beta2-glicoproteína I devido ao risco de síndrome antifosfolípide e o anti-SSA/Ro pelo risco de lúpus neonatal e bloqueio cardíaco congênito.
O lúpus eritematoso sistêmico (LES) é uma doença autoimune crônica que afeta predominantemente mulheres em idade fértil, tornando a gravidez um período de atenção especial. A gestação em pacientes com LES é considerada de alto risco e exige um planejamento cuidadoso e acompanhamento multidisciplinar para minimizar as complicações maternas e fetais. A atividade da doença deve estar controlada por pelo menos 6 meses antes da concepção. A fisiopatologia das complicações gestacionais no LES envolve a presença de autoanticorpos que podem atravessar a placenta e afetar o feto ou causar trombose na interface materno-fetal. O diagnóstico precoce desses anticorpos é fundamental. Os anticorpos anticoagulante lúpico e anti-beta2-glicoproteína I estão associados à Síndrome Antifosfolípide (SAF), que aumenta o risco de abortos de repetição, pré-eclâmpsia e restrição de crescimento. Já o anti-SSA/Ro (anti-Ro) e anti-SSB/La (anti-La) estão relacionados ao lúpus neonatal, que pode causar bloqueio cardíaco congênito no feto, uma condição grave que pode exigir marca-passo. O tratamento e o prognóstico da gravidez no LES dependem do controle da atividade da doença e da presença de autoanticorpos de risco. A monitorização fetal rigorosa, incluindo ecocardiograma fetal para rastrear bloqueio cardíaco, é essencial. A profilaxia com heparina de baixo peso molecular e aspirina é indicada para pacientes com SAF. O manejo deve ser individualizado, visando a segurança da mãe e do feto, e a equipe médica deve estar preparada para intervir em caso de exacerbações da doença ou complicações obstétricas.
Os principais riscos incluem aborto de repetição, pré-eclâmpsia, restrição de crescimento intrauterino, parto prematuro, e lúpus neonatal, especialmente em pacientes com síndrome antifosfolípide ou anti-SSA/Ro.
O anti-SSA/Ro está associado ao risco de lúpus neonatal, que pode se manifestar com rash cutâneo, alterações hematológicas e, mais gravemente, bloqueio cardíaco congênito no feto, exigindo monitoramento cardíaco fetal.
Pacientes com anticoagulante lúpico positivo têm alto risco de síndrome antifosfolípide. A conduta geralmente envolve o uso de heparina de baixo peso molecular e aspirina em baixas doses durante a gestação para prevenir eventos trombóticos e complicações obstétricas.
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