FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2021
Primigesta, 38 semanas de gestação, classificada como de risco usual encontra-se internada em trabalho de parto, caracterizado por: dilatação cervical de 8 cm, contrações eficazes, bolsa rota espontaneamente, líquido amniótico claro com grumos e apresentação cefálica, plano-2 de DeLee. Durante a ausculta intermitente da frequência cardíaca fetal, foi observada a ausência de acelerações da frequência cardíaca fetal durante as contrações. De acordo com esses dados, a conduta imediata
Ausência de acelerações na ausculta intermitente da FCF durante o trabalho de parto → realizar cardiotocografia para avaliação detalhada.
A ausculta intermitente da frequência cardíaca fetal (FCF) é um método de triagem. A ausência de acelerações durante as contrações, embora não seja necessariamente um sinal de sofrimento fetal grave por si só, indica a necessidade de uma avaliação mais aprofundada. A cardiotocografia (CTG) é o método mais adequado para monitorar continuamente a FCF e a dinâmica uterina, permitindo identificar padrões mais complexos e tomar decisões clínicas mais precisas.
A monitorização da frequência cardíaca fetal (FCF) é um pilar fundamental na avaliação do bem-estar fetal durante o trabalho de parto. A ausculta intermitente é um método de triagem eficaz em gestações de baixo risco, mas pode não fornecer informações detalhadas o suficiente para identificar padrões complexos de FCF. A capacidade de interpretar os achados da FCF e decidir a próxima conduta é uma competência essencial para o residente em obstetrícia. A ausência de acelerações da FCF durante o trabalho de parto, especialmente em um contexto de ausculta intermitente, é um achado que merece atenção. As acelerações são indicativas de um feto bem oxigenado e com um sistema nervoso autônomo íntegro. A sua ausência, embora não seja um sinal definitivo de sofrimento fetal por si só, pode indicar uma reserva fetal diminuída ou um estado de hipóxia incipiente. Portanto, é um sinal de alerta que exige uma avaliação mais aprofundada. Nesse cenário, a conduta imediata e mais apropriada é realizar uma cardiotocografia (CTG). A CTG oferece uma monitorização contínua da FCF e da dinâmica uterina, permitindo a análise de padrões como variabilidade, desacelerações (precoces, variáveis, tardias) e a relação com as contrações. Isso fornece informações mais completas e precisas sobre o estado de oxigenação fetal, auxiliando na tomada de decisão sobre a necessidade de intervenções, como a reanimação intrauterina ou, em casos mais graves, a interrupção do parto. A indicação de cesariana de emergência sem uma avaliação mais detalhada seria precipitada.
As acelerações da FCF são aumentos transitórios da FCF em resposta a estímulos, como movimentos fetais ou contrações uterinas. Elas são um sinal de boa oxigenação e bem-estar fetal, indicando um sistema nervoso autônomo fetal responsivo e saudável.
A CTG é indicada quando a ausculta intermitente da FCF levanta preocupações, como ausência de acelerações, bradicardia, taquicardia ou desacelerações. Também é usada em gestações de alto risco ou quando há necessidade de monitorização contínua para avaliar o bem-estar fetal de forma mais detalhada.
Um padrão de FCF tranquilizador (Categoria I) na CTG inclui uma linha de base normal (110-160 bpm), variabilidade moderada, ausência de desacelerações tardias ou variáveis e presença de acelerações. A ausência de acelerações isoladamente não é suficiente para classificar como não tranquilizador, mas requer atenção e, muitas vezes, monitorização contínua.
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