Ausência de Acelerações FCF: Próxima Conduta no Trabalho de Parto

FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2021

Enunciado

Primigesta, 38 semanas de gestação, classificada como de risco usual encontra-se internada em trabalho de parto, caracterizado por: dilatação cervical de 8 cm, contrações eficazes, bolsa rota espontaneamente, líquido amniótico claro com grumos e apresentação cefálica, plano-2 de DeLee. Durante a ausculta intermitente da frequência cardíaca fetal, foi observada a ausência de acelerações da frequência cardíaca fetal durante as contrações. De acordo com esses dados, a conduta imediata

Alternativas

  1. A) Realizar cardiotocografia.
  2. B) Realizar perfil biofísico fetal.
  3. C) Parto cesáreo de emergência.
  4. D) Realizar doppler do ducto venoso.

Pérola Clínica

Ausência de acelerações na ausculta intermitente da FCF durante o trabalho de parto → realizar cardiotocografia para avaliação detalhada.

Resumo-Chave

A ausculta intermitente da frequência cardíaca fetal (FCF) é um método de triagem. A ausência de acelerações durante as contrações, embora não seja necessariamente um sinal de sofrimento fetal grave por si só, indica a necessidade de uma avaliação mais aprofundada. A cardiotocografia (CTG) é o método mais adequado para monitorar continuamente a FCF e a dinâmica uterina, permitindo identificar padrões mais complexos e tomar decisões clínicas mais precisas.

Contexto Educacional

A monitorização da frequência cardíaca fetal (FCF) é um pilar fundamental na avaliação do bem-estar fetal durante o trabalho de parto. A ausculta intermitente é um método de triagem eficaz em gestações de baixo risco, mas pode não fornecer informações detalhadas o suficiente para identificar padrões complexos de FCF. A capacidade de interpretar os achados da FCF e decidir a próxima conduta é uma competência essencial para o residente em obstetrícia. A ausência de acelerações da FCF durante o trabalho de parto, especialmente em um contexto de ausculta intermitente, é um achado que merece atenção. As acelerações são indicativas de um feto bem oxigenado e com um sistema nervoso autônomo íntegro. A sua ausência, embora não seja um sinal definitivo de sofrimento fetal por si só, pode indicar uma reserva fetal diminuída ou um estado de hipóxia incipiente. Portanto, é um sinal de alerta que exige uma avaliação mais aprofundada. Nesse cenário, a conduta imediata e mais apropriada é realizar uma cardiotocografia (CTG). A CTG oferece uma monitorização contínua da FCF e da dinâmica uterina, permitindo a análise de padrões como variabilidade, desacelerações (precoces, variáveis, tardias) e a relação com as contrações. Isso fornece informações mais completas e precisas sobre o estado de oxigenação fetal, auxiliando na tomada de decisão sobre a necessidade de intervenções, como a reanimação intrauterina ou, em casos mais graves, a interrupção do parto. A indicação de cesariana de emergência sem uma avaliação mais detalhada seria precipitada.

Perguntas Frequentes

Qual a importância das acelerações da frequência cardíaca fetal (FCF) durante o trabalho de parto?

As acelerações da FCF são aumentos transitórios da FCF em resposta a estímulos, como movimentos fetais ou contrações uterinas. Elas são um sinal de boa oxigenação e bem-estar fetal, indicando um sistema nervoso autônomo fetal responsivo e saudável.

Quando a cardiotocografia (CTG) é indicada durante o trabalho de parto?

A CTG é indicada quando a ausculta intermitente da FCF levanta preocupações, como ausência de acelerações, bradicardia, taquicardia ou desacelerações. Também é usada em gestações de alto risco ou quando há necessidade de monitorização contínua para avaliar o bem-estar fetal de forma mais detalhada.

Quais são os padrões de FCF considerados tranquilizadores na CTG?

Um padrão de FCF tranquilizador (Categoria I) na CTG inclui uma linha de base normal (110-160 bpm), variabilidade moderada, ausência de desacelerações tardias ou variáveis e presença de acelerações. A ausência de acelerações isoladamente não é suficiente para classificar como não tranquilizador, mas requer atenção e, muitas vezes, monitorização contínua.

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