Ausculta Cardíaca: Cliques e Bulhas Extras

UFF/HUAP - Hospital Universitário Antônio Pedro - Niterói (RJ) — Prova 2015

Enunciado

Com relação à ausculta cardíaca, pode-se afirmar que:

Alternativas

  1. A) A terceira bulha corresponde ao enchimento rápido no início da sístole e pode ocorrer normalmente em crianças se o volume de ejeção está diminuído.
  2. B) Os cliques hemissistólicos ou telessistólicos são mais comumente causados pelo prolapso da válvula mitral.
  3. C) Os sons de ejeção sistólicos precoces estão relacionados com a abertura forçada das valvas mitral e tricúspide. 
  4. D) O estalo de abertura da estenose tricúspide e/ou mitral ocorre no fim da diástole mecânica, após o término da fase rápida de enchimento ventricular.
  5. E) A quarta bulha frequentemente é audível em indivíduos jovens, devido à complacência ventricular aumentada durante a contração atrial. 

Pérola Clínica

Cliques meso/telessistólicos → Prolapso da Válvula Mitral.

Resumo-Chave

Os cliques sistólicos, especialmente os meso ou telessistólicos, são achados clássicos do prolapso da válvula mitral (PVM). Eles ocorrem quando as cúspides da válvula mitral se projetam para o átrio esquerdo durante a sístole ventricular, tensionando as cordas tendíneas.

Contexto Educacional

A ausculta cardíaca é uma habilidade clínica fundamental que permite ao médico avaliar a função cardíaca e identificar diversas patologias. A compreensão das bulhas cardíacas normais (S1 e S2) e dos sons adicionais, como bulhas extras, cliques e estalidos, é crucial para o diagnóstico diferencial. Os cliques sistólicos são sons de alta frequência que ocorrem durante a sístole ventricular. Os cliques hemissistólicos (mesossistólicos) ou telessistólicos são classicamente associados ao prolapso da válvula mitral (PVM). Eles resultam do tensionamento abrupto das cordas tendíneas e/ou do abaulamento das cúspides mitrais para o átrio esquerdo durante a sístole. O momento do clique pode variar com manobras que alteram o volume ventricular. Em contraste, a terceira bulha (S3) ocorre no início da diástole, durante o enchimento ventricular rápido, e pode ser fisiológica em crianças e jovens ou patológica em adultos (indicando insuficiência cardíaca). A quarta bulha (S4) ocorre no final da diástole, antes de S1, devido à contração atrial contra um ventrículo rígido e de baixa complacência, sendo sempre patológica. Sons de ejeção sistólicos precoces, por sua vez, estão relacionados à abertura forçada de valvas semilunares estenóticas (aórtica ou pulmonar) e ocorrem logo após S1. O estalo de abertura da estenose mitral ou tricúspide ocorre no início da diástole, após S2, e não no fim da diástole mecânica.

Perguntas Frequentes

O que causa os cliques sistólicos no prolapso da válvula mitral?

Os cliques sistólicos no prolapso da válvula mitral são causados pelo tensionamento abrupto das cordas tendíneas e/ou das cúspides da válvula mitral quando elas se projetam para o átrio esquerdo durante a sístole ventricular.

Qual a diferença entre S3 e S4 na ausculta cardíaca?

A terceira bulha (S3) ocorre no início da diástole, durante o enchimento ventricular rápido, e pode ser fisiológica em jovens ou patológica (insuficiência cardíaca). A quarta bulha (S4) ocorre no final da diástole, antes de S1, devido à contração atrial contra um ventrículo de baixa complacência (patológica).

O que são sons de ejeção sistólicos precoces e com o que estão relacionados?

Sons de ejeção sistólicos precoces são sons de alta frequência que ocorrem logo após S1 e estão relacionados à abertura forçada de valvas semilunares (aórtica ou pulmonar) estenóticas, ou à dilatação da raiz da aorta ou artéria pulmonar.

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