AUDIT: Diagnóstico e Tratamento do Transtorno do Uso de Álcool

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2024

Enunciado

Durante um exame admissional para motorista, um paciente é questionado sobre o uso de álcool e responde, abertamente, que se sente culpado pelo uso diário de 3 cervejas. Relata haver tentado reduzir esse consumo, sem sucesso. Nega uso de álcool pela manhã. Não relatou sentir-se aborrecido pelo que familiares, ou outras pessoas próximas a ele, possam pensar sobre seu consumo frequente de bebida alcoólica. No questionário AUDIT, esse paciente teve escore 22 de 40 pontos.Assinale a alternativa que apresenta a informação correta quanto ao diagnóstico e a abordagem adequados para esse paciente.

Alternativas

  1. A) Rastreamento negativo; orientar o paciente a reduzir o consumo para 14 cervejas por semana, sendo dispensado o tratamento farmacológico nesse caso.
  2. B) Rastreamento positivo; orientar o paciente sobre riscos de dirigir embriagado e oferecer naltrexona ou acamprosato para fins de tratamento farmacológico.
  3. C) Rastreamento positivo; orientar o paciente sobre riscos de dirigir embriagado e oferecer dissulfiram e benzodiazepínicos para fins de tratamento farmacológico.
  4. D) Rastreamento negativo, mas consumo excessivo; orientar o paciente sobre riscos de dirigir embriagado e oferecer naltrexona para fins de tratamento farmacológico.

Pérola Clínica

AUDIT ≥ 8 indica rastreamento positivo para transtorno uso álcool → Orientação + Naltrexona/Acamprosato para tratamento farmacológico.

Resumo-Chave

Um escore AUDIT de 22 indica um rastreamento positivo para transtorno do uso de álcool, necessitando de intervenção. A conduta correta envolve orientar o paciente sobre os riscos (especialmente dirigir embriagado) e oferecer tratamento farmacológico com naltrexona ou acamprosato, que são as opções de primeira linha para reduzir o craving e prevenir recaídas.

Contexto Educacional

O transtorno do uso de álcool (TUA) é uma condição crônica e recidivante caracterizada por um padrão problemático de consumo de álcool que leva a prejuízo ou sofrimento clinicamente significativo. É um problema de saúde pública global, com alta morbidade e mortalidade. O rastreamento é fundamental para a detecção precoce e intervenção. O questionário AUDIT (Alcohol Use Disorders Identification Test) é uma ferramenta validada e amplamente utilizada para identificar indivíduos com uso de risco ou transtorno do uso de álcool, com um escore ≥ 8 indicando a necessidade de intervenção. O paciente em questão, com um escore AUDIT de 22, apresenta um rastreamento positivo para TUA, evidenciado também por sintomas como culpa e tentativas frustradas de redução. A abordagem deve ser multifacetada, incluindo aconselhamento, intervenções psicossociais e, quando indicado, tratamento farmacológico. É crucial orientar o paciente sobre os riscos associados ao consumo de álcool, especialmente em atividades como dirigir. Para o tratamento farmacológico do TUA, a naltrexona e o acamprosato são as medicações de primeira linha. A naltrexona atua bloqueando os receptores opioides, reduzindo o craving e o prazer associado ao consumo de álcool. O acamprosato atua no sistema glutamatérgico, ajudando a restaurar o equilíbrio de neurotransmissores e a manter a abstinência. Outras opções, como o dissulfiram, podem ser consideradas em casos específicos, mas não são a primeira escolha devido ao perfil de efeitos colaterais e adesão.

Perguntas Frequentes

Como interpretar o escore do questionário AUDIT?

O AUDIT (Alcohol Use Disorders Identification Test) é uma ferramenta de rastreamento para uso de álcool. Um escore de 8 ou mais indica uso de risco ou transtorno do uso de álcool, necessitando de intervenção. Escore 22 é um rastreamento positivo e indica transtorno do uso de álcool.

Quais são as opções de tratamento farmacológico de primeira linha para o transtorno do uso de álcool?

As opções de tratamento farmacológico de primeira linha para o transtorno do uso de álcool são a naltrexona (que reduz o craving e o prazer associado ao álcool) e o acamprosato (que ajuda a manter a abstinência, atuando em neurotransmissores).

Por que o dissulfiram e os benzodiazepínicos não são a primeira escolha para o tratamento de manutenção do alcoolismo?

O dissulfiram é uma terapia aversiva com efeitos colaterais significativos e menor adesão. Os benzodiazepínicos são usados principalmente para o manejo da síndrome de abstinência alcoólica, não para o tratamento de manutenção do transtorno do uso de álcool, devido ao risco de dependência e abuso.

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