Anafilaxia: Uso da Adrenalina no Tratamento de Emergência

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2022

Enunciado

A atuação em emergência determina a necessidade criteriosa de conhecimento acerca do manuseio de pacientes gravemente afetados por anafilaxia. Quanto ao uso de adrenalina, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Em praticamente 95% dos casos, uma única dose de adrenalina controla e reverte o quadro. 
  2. B) O uso da adrenalina na anafilaxia apresenta riscos para todos os casos, devendo, portanto, ser considerado como última opção terapêutica. 
  3. C) Doses excessivas de adrenalina intravenosa são consideradas como de baixo risco, pouco importantes para arritmias e outros transtornos cardiovasculares, tendo em vista a necessidade de controle imediato da anafilaxia. 
  4. D) As vias intravenosa e intramuscular são recomendadas para o tratamento da anafilaxia perioperatória por anestesistas experientes, embora as diretrizes internacionais recomendem o uso de adrenalina intramuscular para o tratamento de primeira linha em todos os ambientes. 
  5. E) O uso de adrenalina, pela via subcutânea, na anafilaxia é o padrão mais seguro e mais eficiente na prática clínica. 

Pérola Clínica

Adrenalina IM é a 1ª linha para anafilaxia em todos os ambientes; IV reservada para casos refratários ou perioperatórios por experientes.

Resumo-Chave

A adrenalina intramuscular (IM) é a medicação de primeira linha e mais importante no tratamento da anafilaxia, devendo ser administrada prontamente. A via intravenosa (IV) é reservada para casos refratários à via IM, pacientes em choque profundo ou em ambientes controlados como o perioperatório, sob monitorização rigorosa e por profissionais experientes, devido ao maior risco de efeitos adversos cardiovasculares.

Contexto Educacional

A anafilaxia é uma reação de hipersensibilidade sistêmica grave, de início rápido e potencialmente fatal, que requer reconhecimento imediato e tratamento urgente. A adrenalina é o tratamento de primeira linha e mais importante para a anafilaxia, sendo a única medicação capaz de reverter a progressão dos sintomas graves, como hipotensão, broncoespasmo e angioedema de vias aéreas. Sua ação alfa-adrenérgica causa vasoconstrição periférica, aumentando a pressão arterial e reduzindo o edema, enquanto a ação beta-adrenérgica promove broncodilatação e inibe a liberação de mediadores inflamatórios. A via de administração preferencial para a adrenalina na anafilaxia é a intramuscular (IM), na face anterolateral da coxa. Esta via garante uma absorção rápida e segura, sendo recomendada para a maioria dos pacientes em todos os ambientes, incluindo o pré-hospitalar. A dose para adultos é de 0,3 a 0,5 mg (solução 1:1000), e para crianças, 0,01 mg/kg (máximo 0,3 mg), podendo ser repetida a cada 5-15 minutos se não houver melhora clínica. A adrenalina intravenosa (IV) é reservada para situações específicas, como anafilaxia refratária à via IM, pacientes em choque profundo ou parada cardíaca, ou no contexto perioperatório, onde há monitorização intensiva e profissionais experientes (anestesistas). A administração IV exige diluição cuidadosa (geralmente 1:10.000) e infusão lenta para evitar efeitos adversos graves, como arritmias ventriculares, isquemia miocárdica e hipertensão súbita. É crucial não atrasar a administração da adrenalina, pois o retardo está associado a maior morbimortalidade.

Perguntas Frequentes

Qual a dose e via de administração padrão da adrenalina para anafilaxia?

A dose padrão para adultos é de 0,3 a 0,5 mg de adrenalina 1:1000 (1 mg/mL) por via intramuscular na face anterolateral da coxa. Para crianças, a dose é de 0,01 mg/kg, com dose máxima de 0,3 mg.

Quando a adrenalina intravenosa é indicada na anafilaxia?

A adrenalina intravenosa é indicada para anafilaxia refratária à via intramuscular, em pacientes com choque profundo ou parada cardíaca, ou em ambiente perioperatório sob monitorização contínua e por profissional experiente, devido ao risco de arritmias e isquemia miocárdica.

Quais são os principais efeitos adversos da adrenalina?

Os efeitos adversos incluem taquicardia, palpitações, hipertensão, arritmias cardíacas, tremores, ansiedade e cefaleia. Doses excessivas, especialmente por via IV, podem levar a isquemia miocárdica e arritmias graves.

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