FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2025
Se um paciente pediátrico apresenta bradicardia sintomática causada por bloqueio atrioventricular ou aumento da atividade vagal (durante a entubação), o tratamento recomendado é a administração de:
Bradicardia por tônus vagal ↑ ou BAV em pediatria → Atropina (0,02 mg/kg); Mínimo 0,1 mg.
A atropina é o agente de escolha para bradicardia mediada por excesso vagal ou bloqueios de condução primários, enquanto a epinefrina é preferida para bradicardia hipóxica.
O manejo da bradicardia em pediatria difere do adulto pela etiologia predominantemente respiratória. A maioria dos eventos decorre de hipóxia grave, tornando a ventilação com pressão positiva a intervenção mais crítica. No entanto, em cenários específicos como a indução de sequência rápida de intubação, o estímulo da laringoscopia pode desencadear uma resposta vagal intensa, resultando em bradicardia súbita. A atropina atua como um antagonista competitivo dos receptores muscarínicos de acetilcolina, bloqueando a influência parassimpática no coração. Além do uso em bradicardias vagais e BAVs, ela também é considerada em intoxicações por organofosforados. É fundamental que o clínico saiba diferenciar a bradicardia por falência respiratória (tratar com O2 e Epinefrina) da bradicardia por condução ou reflexo (tratar com Atropina).
De acordo com as diretrizes do PALS (Pediatric Advanced Life Support), a atropina é indicada na bradicardia sintomática que persiste após oxigenação e ventilação adequadas, especificamente se houver suspeita de aumento do tônus vagal (como durante a laringoscopia para intubação) ou em casos de bloqueio atrioventricular (BAV) primário. Para a maioria das bradicardias pediátricas, que são causadas por hipóxia, a epinefrina continua sendo o vasopressor de primeira escolha após a estabilização da via aérea.
A dose recomendada de atropina para o tratamento de bradicardia sintomática em pediatria é de 0,02 mg/kg por via intravenosa ou intraóssea. É importante observar que existe uma dose mínima de 0,1 mg para evitar o risco de bradicardia paradoxal (que pode ocorrer com doses muito baixas) e uma dose máxima individual de 0,5 mg para crianças (ou 1 mg para adolescentes), podendo ser repetida uma vez.
A bradicardia paradoxal ocorre quando doses muito baixas de atropina (geralmente menores que 0,1 mg em crianças) são administradas. Nessas doses, o fármaco pode exercer um efeito agonista periférico parcial ou um efeito central no núcleo motor dorsal do nervo vago antes de atingir o bloqueio muscarínico pleno no nó sinoatrial. Por isso, a administração deve ser rápida e respeitar a dose mínima preconizada para garantir o efeito cronotrópico positivo desejado.
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