CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2024
Com relação ao colírio de atropina, a concentração a:
Atropina 0,5% ou 1% = Padrão-ouro para cicloplegia total em crianças com esotropia acomodativa.
A atropina é o cicloplégico mais potente. Concentrações de 0,5% a 1% são necessárias para paralisar o músculo ciliar em exames de refração pediátrica.
A atropina é um antagonista muscarínico não seletivo. Na prática oftalmológica, seu uso é fundamental para a refração de crianças, onde o tônus acomodativo é muito forte e pode mascarar erros refracionais, levando a prescrições incorretas. A concentração de 0,5% é frequentemente considerada suficiente e mais segura para atingir cicloplegia satisfatória em crianças pequenas. Além da refração, a atropina é utilizada no tratamento de uveítes (para prevenir sinéquias e aliviar a dor do espasmo ciliar) e, em doses muito baixas (0,01% a 0,05%), no controle da progressão da miopia em crianças. O pico de ação da atropina ocorre entre 30 a 60 minutos para midríase e algumas horas para cicloplegia máxima, mas sua recuperação é lenta.
Midríase refere-se apenas à dilatação da pupila pela paralisia do músculo esfíncter da íris ou estimulação do dilatador. Cicloplegia é a paralisia do músculo ciliar, o que impede a acomodação (ajuste de foco para perto). Embora a maioria dos colírios cicloplégicos também cause midríase, o objetivo principal na refração pediátrica é a cicloplegia, para revelar a hipermetropia total latente, especialmente em crianças com estrabismo.
A atropina é o agente cicloplégico mais potente disponível, com efeito que dura até 2 semanas. Ela é indicada quando se busca a paralisia máxima da acomodação, como em crianças pequenas com esotropia acomodativa ou em casos onde o ciclopentolato não foi suficiente para revelar o erro refracional total. O ciclopentolato é mais prático para uso em consultório devido ao início de ação mais rápido e menor duração, mas a atropina continua sendo o padrão-ouro de eficácia.
A atropina pode ser absorvida pela mucosa nasal via ducto lacrimonasal, causando efeitos anticolinérgicos sistêmicos. Os sintomas incluem rubor facial, febre, boca seca, taquicardia e alterações comportamentais (irritabilidade ou alucinações). Para minimizar esses riscos, orienta-se a compressão do ponto lacrimal após a instilação e o uso de concentrações menores (como 0,5%) em crianças muito pequenas ou lactentes.
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