Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2024
Mulher de 48 anos, menopausada há 3 anos, vem em consulta com queixa de secura vaginal e ocasional prurido no introito vaginal há 2 anos. Realizadas pesquisas infecciosas negativas. Mesmo assim, já utilizou 5 vezes cremes vaginais para infecções fúngicas, sem sucesso. Medicações em uso: Hidroclorotiazida 12,5 mg por hipertensão arterial crônica e vitamina D 2.000 UI/dia. Diante da situação hipotética, é correto afirmar que a conduta para melhorar a queixa da paciente é a
Secura/prurido vaginal pós-menopausa + infecções negativas → Atrofia vulvovaginal = Estrogênio tópico vaginal.
A paciente apresenta sintomas clássicos de atrofia vulvovaginal pós-menopausa, como secura e prurido, sem evidência de infecção. A falha de antifúngicos reforça o diagnóstico. O tratamento de primeira linha para esses sintomas localizados é o estrogênio tópico vaginal, que age diretamente na mucosa sem efeitos sistêmicos significativos.
A atrofia vulvovaginal, agora parte da Síndrome Geniturinária da Menopausa (SGM), é uma condição crônica e progressiva que afeta uma parcela significativa das mulheres pós-menopausa devido à deficiência estrogênica. Caracteriza-se por alterações na vulva, vagina, uretra e bexiga, levando a sintomas como secura vaginal, prurido, queimação, dispareunia e sintomas urinários. A prevalência é alta, mas muitas mulheres não buscam tratamento por constrangimento ou por acreditar que são sintomas "normais" da idade. A fisiopatologia envolve a diminuição do estrogênio, que resulta em afinamento do epitélio vaginal, redução da vascularização, diminuição da produção de colágeno e elastina, e alteração do pH vaginal, tornando a mucosa mais frágil e suscetível a irritações e infecções. O diagnóstico é clínico, baseado nos sintomas e no exame físico que revela palidez, ressecamento e perda de rugosidade da mucosa vaginal. É crucial descartar infecções, como candidíase ou vaginose bacteriana, que podem ter sintomas semelhantes. O tratamento de primeira linha para a atrofia vulvovaginal é o estrogênio tópico vaginal, disponível em cremes, óvulos ou anéis. Ele restaura a troficidade da mucosa com absorção sistêmica mínima, sendo seguro e eficaz. Outras opções incluem hidratantes e lubrificantes vaginais não hormonais para casos leves ou como adjuvantes. A terapia hormonal sistêmica é reservada para sintomas vasomotores intensos e, se usada, também beneficia a atrofia vaginal, mas possui mais contraindicações.
Os sintomas incluem secura vaginal, prurido, queimação, dispareunia (dor durante a relação sexual), urgência urinária e infecções do trato urinário recorrentes, todos relacionados à deficiência estrogênica.
O estrogênio tópico age diretamente na mucosa vaginal, restaurando sua espessura e elasticidade, aliviando os sintomas de secura e prurido. Sua absorção sistêmica é mínima, tornando-o seguro mesmo para pacientes com contraindicações à terapia hormonal sistêmica.
O estrogênio tópico é indicado para sintomas geniturinários localizados, com ação direta e poucos efeitos sistêmicos. O estrogênio sistêmico trata sintomas vasomotores (ondas de calor) e atrofia vaginal, mas possui mais contraindicações e riscos.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo