UFT - Universidade Federal do Tocantins — Prova 2021
Joana, 25 anos, comparece ao centro de saúde da comunidade para consulta de puericultura de seu filho Enzo, de 2 anos de idade. Relata exaustão decorrente de noites mal dormidas e de dificuldades em estabelecer rotinas saudáveis para seu filho, o qual apresenta dificuldade para se alimentar. O médico de família após examinar a criança percebe que a mãe apresenta um olhar sofrido e indaga se Joana também precisa de atendimento. Ela refere que está preocupada com um atraso menstrual de 2 meses, que está desempregada e que terminou o relacionamento com o pai de Enzo há cerca de 1 mês. O médico realizou teste rápido de gravidez que resultou positivo e iniciou o pré natal de Joana oferecendo apoio psicológico e do serviço social, além de agendamento de consulta de enfermagem, consulta odontológica e retorno médico. Joana referiu que apesar de assustada com o diagnóstico de gravidez iria assumir o compromisso de comparecer às consultas agendadas e seguir as recomendações do médico. Dentre os atributos da medicina de família e comunidade podemos perceber no caso citado que estiveram presentes:
Caso Joana: Integralidade (múltiplos problemas), Medicina Centrada na Pessoa (escuta ativa, necessidades da mãe), Longitudinalidade (acompanhamento contínuo).
O caso de Joana ilustra a aplicação dos atributos essenciais da Medicina de Família e Comunidade: a integralidade, ao abordar as diversas dimensões da saúde da paciente (física, mental, social); a medicina centrada na pessoa, ao considerar suas preocupações e contexto de vida; e a longitudinalidade, ao planejar o acompanhamento contínuo da gravidez e da família.
A Medicina de Família e Comunidade (MFC) é uma especialidade que se baseia em atributos essenciais para oferecer um cuidado abrangente e de alta qualidade na Atenção Primária à Saúde (APS). O caso de Joana ilustra perfeitamente a aplicação desses princípios no cotidiano da prática médica. A integralidade do cuidado é demonstrada pela abordagem holística do médico, que não se limita à saúde do filho, mas estende a atenção à mãe, considerando suas questões de saúde física (gravidez), mental (exaustão, preocupação) e social (desemprego, término de relacionamento). A medicina centrada na pessoa é evidenciada pela escuta ativa e pela valorização das preocupações e contexto de vida de Joana, construindo um plano de cuidado em conjunto. A longitudinalidade é o compromisso do médico e da equipe de saúde em acompanhar Joana e sua família ao longo do tempo, desde o pré-natal até o puerpério e além, estabelecendo um vínculo de confiança e responsabilidade. Esses atributos são cruciais para a efetividade da APS, promovendo saúde, prevenindo doenças e coordenando o cuidado de forma contínua e personalizada.
A integralidade refere-se à capacidade da equipe de saúde de atender às necessidades de saúde do indivíduo em todas as suas dimensões (biológica, psicológica, social), considerando o contexto familiar e comunitário, e coordenando o cuidado em diferentes níveis de atenção.
A Medicina Centrada na Pessoa é evidente quando o médico, ao perceber o sofrimento de Joana, indaga sobre suas necessidades, escuta suas preocupações (atraso menstrual, desemprego, término de relacionamento) e oferece apoio abrangente, indo além da queixa inicial do filho.
A longitudinalidade é o acompanhamento contínuo do paciente e sua família ao longo do tempo, estabelecendo um vínculo de confiança. Isso permite um conhecimento aprofundado do histórico, contexto e necessidades, facilitando a prevenção, o diagnóstico precoce e o manejo coordenado da saúde.
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