Atresia de Vias Biliares: Diagnóstico e Manejo Neonatal

UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2019

Enunciado

João Alberto, 25 dias de vida, vem para consulta no Posto de Saúde. A mãe queixa-se de icterícia progressiva, esverdeada, de início há cerca de 10 dias, com alteração na coloração das fezes (aspecto de “massa de vidraceiro”) e da urina (aspecto de “coca-cola”). Ao exame físico: EGBom, ativo, hidratado, ictérico (4+/4+), eupneico, acianótico. AR e ACV sem alterações importantes. Abdômen: semigloboso, flácido, depressível e indolor. Fígado a 1 cm do RCD. Encontra-se em AME. Antecedentes: parto normal, termo, sem intercorrências. IG: 39 semanas e PN: 3,2 kg. Uma USG foi realizada e mostra sinal da corda triangular. Assinale a alternativa CORRETA.

Alternativas

  1. A) Provavelmente, trata-se de icterícia induzida pelo leite materno. O aleitamento deverá ser descontinuado por 48 horas e depois reintroduzido.
  2. B) Na impossibilidade de um transplante hepático, a portoenteroanastomose está indicada e deverá ser realizada antes da 8ª semana de vida.
  3. C) A cintilografia biliar deverá ser realizada imediatamente.
  4. D) O uso do ácido ursadesoxicólico é a principal conduta para este paciente.
  5. E) Nenhuma das anteriores está correta.

Pérola Clínica

Icterícia esverdeada + fezes acólicas + urina colúrica + sinal da corda triangular em RN > 14 dias → Atresia de vias biliares.

Resumo-Chave

A atresia de vias biliares é uma emergência cirúrgica pediátrica. O diagnóstico precoce é crucial, e a portoenteroanastomose de Kasai deve ser realizada idealmente antes de 60 dias de vida para otimizar o prognóstico e evitar a necessidade de transplante hepático.

Contexto Educacional

A atresia de vias biliares é uma colangiopatia obstrutiva progressiva que afeta neonatos, sendo a principal causa de icterícia colestática em lactentes e a indicação mais comum de transplante hepático pediátrico. Sua incidência é de aproximadamente 1 em 10.000 a 18.000 nascidos vivos. O reconhecimento precoce é vital para o prognóstico. Clinicamente, manifesta-se com icterícia progressiva e esverdeada que persiste após a segunda semana de vida, associada a fezes acólicas (claras) e urina colúrica (escura). O exame físico pode revelar hepatomegalia e, posteriormente, esplenomegalia. A ultrassonografia abdominal, com a pesquisa do sinal da corda triangular, é um exame inicial importante, mas o diagnóstico definitivo requer biópsia hepática e colangiografia intraoperatória. O tratamento de escolha é a portoenteroanastomose de Kasai, um procedimento cirúrgico que visa restabelecer o fluxo biliar. O sucesso da cirurgia é inversamente proporcional à idade do paciente, sendo idealmente realizada antes dos 60 dias de vida. Mesmo com sucesso da Kasai, muitos pacientes evoluem para cirrose e podem necessitar de transplante hepático em longo prazo.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para atresia de vias biliares em neonatos?

Os principais sinais são icterícia progressiva e esverdeada após 14 dias de vida, fezes claras (acólicas ou "massa de vidraceiro") e urina escura (colúrica ou "coca-cola").

Qual a importância do sinal da corda triangular na ultrassonografia?

O sinal da corda triangular é um achado ultrassonográfico altamente sugestivo de atresia de vias biliares, indicando a presença de um cordão fibroso na região do hilo hepático, e auxilia no diagnóstico precoce.

Por que a cirurgia de Kasai deve ser realizada precocemente na atresia de vias biliares?

A portoenteroanastomose de Kasai tem melhores resultados quando realizada antes dos 60 dias de vida, pois a fibrose hepática é menos avançada, aumentando as chances de restabelecimento do fluxo biliar e postergando ou evitando o transplante hepático.

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