HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2026
Lactente de 25 dias, sexo masculino, é trazido ao pronto-socorro devido à persistência de icterícia desde alta da maternidade com 48 horas de vida. A mãe relata que as fezes estão mais claras do que as eliminadas na primeira semana de vida e que a urina tem apresentado coloração intensa, amarelada, desde o nascimento. O bebê encontra-se em aleitamento materno exclusivo, mas a mãe apresenta muitas dúvidas e insegurança sobre a amamentação exclusiva. A história gestacional e obstétrica foi sem alterações, com parto vaginal a termo e peso ao nascimento de 3.200 g. Ao exame, o lactente apresenta bom estado geral, peso de 3.650 g, icterícia em pele e escleróticas e fígado palpável a 2 cm do rebordo costal direito, com borda lisa e indolor. Não há esplenomegalia ou outros achados. Exames laboratoriais da emergência revelam bilirrubina total de 8,5 mg/dL (com 7,0 mg/dL de bilirrubina direta) e hemograma sem sinais de hemólise. Com base no quadro clínico apresentado, assinale a alternativa correta:
Icterícia colestática (BD > 1,0 mg/dL) após 2 semanas → Investigar Atresia de Vias Biliares URGENTE.
A atresia de vias biliares é uma emergência cirúrgica pediátrica; o diagnóstico precoce e a realização da portoenterostomia de Kasai antes dos 60 dias de vida são cruciais para o sucesso da drenagem biliar.
A atresia de vias biliares (AVB) é a principal causa de transplante hepático na infância. Caracteriza-se por um processo inflamatório idiopático que leva à obliteração da árvore biliar extra-hepática. O quadro clínico típico é de um lactente a termo, com peso adequado, que desenvolve icterícia colestática nas primeiras semanas de vida. A diferenciação entre causas médicas (como hepatite neonatal) e cirúrgicas (AVB) é prioritária. O manejo envolve suporte nutricional com triglicerídeos de cadeia média e vitaminas lipossolúveis, além da intervenção cirúrgica oportuna.
Os sinais de alerta incluem icterícia que persiste por mais de 14 dias de vida, acompanhada de colúria (urina escura que mancha a fralda) e hipocolia ou acolia fecal (fezes claras ou esbranquiçadas). Laboratorialmente, a definição de colestase neonatal é dada por uma bilirrubina direta (BD) maior que 1,0 mg/dL. A presença de hepatomegalia firme ao exame físico reforça a suspeita de doença hepatobiliar obstrutiva, exigindo investigação imediata para descartar causas cirúrgicas como a atresia de vias biliares.
A atresia de vias biliares (AVB) causa uma obstrução progressiva dos ductos biliares extra-hepáticos, levando rapidamente à fibrose hepática e cirrose biliar secundária. A portoenterostomia de Kasai visa restabelecer o fluxo biliar. O sucesso do procedimento é altamente dependente da idade: se realizado antes dos 60 dias de vida, a chance de restabelecer a drenagem biliar é de aproximadamente 70-80%. Após os 90 dias, a eficácia cai drasticamente devido ao dano hepático irreversível, tornando o transplante hepático a única opção definitiva.
A ultrassonografia abdominal é um exame inicial fundamental, preferencialmente realizado após jejum de 4 horas. Ela busca sinais indiretos de atresia de vias biliares, como a ausência ou hipoplasia da vesícula biliar e o 'sinal do cordão triangular' (uma massa ecogênica cone-focal anterior à bifurcação da veia porta, representando o remanescente fibrótico do ducto biliar). Embora útil, a ultrassonografia não exclui definitivamente a AVB se for normal, sendo muitas vezes necessária a biópsia hepática ou a colangiografia intraoperatória para confirmação.
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