HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2020
Recém-nascido com 15 dias de vida é trazido ao pronto atendimento devido icterícia que apareceu após a alta da maternidade e que vem evoluindo com piora progressiva, acompanhada de acolia fecal. Nasceu a termo, com peso de 3200 g, com tipagem sanguínea O negativo e mãe A positivo. Está em aleitamento materno exclusivo, ganhando 15 gramas por dia. Ao exame, apresenta icterícia zona III e fígado a 3 cm do rebordo costal. Esse quadro é compatível com o seguinte diagnóstico:
Icterícia progressiva + acolia fecal + hepatomegalia em RN > 14 dias = suspeitar atresia de vias biliares.
A icterícia que persiste após 14 dias de vida, especialmente quando acompanhada de acolia fecal (fezes claras) e hepatomegalia, é um sinal de alerta para colestase neonatal, sendo a atresia de vias biliares uma das causas mais graves e que exige intervenção cirúrgica precoce (cirurgia de Kasai) para evitar cirrose biliar e necessidade de transplante hepático.
A icterícia neonatal é um achado comum, mas quando ela se prolonga por mais de 14 dias de vida, especialmente em recém-nascidos a termo, e é acompanhada de sinais como acolia fecal e hepatomegalia, deve-se levantar a suspeita de colestase neonatal. Dentre as causas de colestase, a atresia de vias biliares é uma das mais graves e exige reconhecimento e intervenção urgentes. A atresia de vias biliares é uma condição progressiva na qual os ductos biliares extra-hepáticos estão obstruídos ou ausentes, impedindo o fluxo da bile do fígado para o intestino. Isso leva ao acúmulo de bilirrubina direta (conjugada) no sangue, causando icterícia, e à ausência de bile no intestino, resultando em fezes claras (acolia). A hepatomegalia ocorre devido ao acúmulo de bile e inflamação hepática. O diagnóstico precoce é vital. A cirurgia de Kasai (portoenterostomia) é o tratamento de escolha e tem maior sucesso quando realizada antes dos 60 dias de vida. Atrasos no diagnóstico e tratamento podem levar a cirrose biliar progressiva, hipertensão portal e falência hepática, tornando o transplante hepático a única opção. Residentes devem estar atentos a esses sinais de alerta para garantir o encaminhamento e manejo adequados.
Os principais sinais são icterícia que persiste ou piora após 14 dias de vida, fezes claras (acolia fecal), urina escura (colúria) e hepatomegalia.
O diagnóstico e a intervenção cirúrgica (cirurgia de Kasai) antes dos 60 dias de vida são cruciais para o sucesso do procedimento e para evitar a progressão para cirrose biliar e a necessidade de transplante hepático.
A presença de acolia fecal e o predomínio de bilirrubina direta são fortes indicativos de colestase e diferenciam a atresia biliar de causas como icterícia fisiológica, do leite materno ou incompatibilidade sanguínea, que cursam com predomínio de bilirrubina indireta.
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