SMS-SP - Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo — Prova 2023
Considere um paciente de 2 meses de vida com icterícia, aumento de bilirrubina direta > 3 mg/dL, acolia e colúria. Nesse caso, o diagnóstico provável é de
Icterícia neonatal > 14 dias + acolia + colúria + BD > 3 mg/dL → Atresia de Vias Biliares (AVB).
A atresia de vias biliares é uma emergência pediátrica que requer diagnóstico precoce para a cirurgia de Kasai, visando preservar a função hepática. A icterícia colestática em lactentes nunca deve ser subestimada, sendo a acolia um sinal cardinal.
A atresia de vias biliares (AVB) é uma doença rara, mas grave, que afeta recém-nascidos, caracterizada pela obstrução progressiva das vias biliares extra-hepáticas. É a causa mais comum de icterícia colestática em lactentes e a principal indicação para transplante hepático pediátrico. A identificação precoce é vital para o sucesso do tratamento e para evitar danos hepáticos irreversíveis. A fisiopatologia envolve um processo inflamatório e fibrótico que leva à obliteração dos ductos biliares. O diagnóstico é suspeitado pela icterícia persistente (mais de 14 dias), fezes acólicas (claras) e urina colúrica (escura), além da elevação da bilirrubina direta (> 20% da total ou > 1 mg/dL se total < 5 mg/dL; ou > 3 mg/dL). Exames complementares incluem ultrassonografia abdominal, cintilografia hepatobiliar e biópsia hepática, sendo a colangiografia intraoperatória o padrão-ouro. O tratamento definitivo é cirúrgico, através da portoenterostomia de Kasai, idealmente realizada antes dos 60 dias de vida. Após a cirurgia, o acompanhamento é fundamental para monitorar complicações como colangite e hipertensão portal. O prognóstico depende da idade da cirurgia e da presença de complicações, mas muitos pacientes ainda necessitarão de transplante hepático no futuro.
Os principais sinais são icterícia persistente após 14 dias de vida, fezes claras (acolia), urina escura (colúria) e aumento da bilirrubina direta.
O diagnóstico precoce é crucial para a realização da cirurgia de Kasai antes dos 60 dias de vida, o que melhora significativamente o prognóstico e a sobrevida do fígado.
A diferenciação é feita pela presença de icterícia colestática (bilirrubina direta elevada), acolia e colúria, que não são características da icterícia fisiológica ou pelo leite materno.
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