Atresia de Vias Biliares: Diagnóstico e Sinais Chave

UEL - Hospital Universitário de Londrina (PR) — Prova 2020

Enunciado

Bebê feminina, nascida a termo com 3 kg, em boas condições de vitalidade, recebe alta da maternidade em aleitamento materno. Retorna 15 dias depois, pesando 3,4 kg em boas condições, com pele amarelada, fezes esbranquiçadas e diurese escura. Foram colhidos diversos exames de sangue e observado aumento de bilirrubinas às custas de bilirrubina direta, além de TGO e TGP pouco aumentadas. Assinale a alternativa que apresenta, corretamente, a hipótese diagnóstica mais provável.

Alternativas

  1. A) Atresia de vias biliares.
  2. B) Cisto de colédoco.
  3. C) Hepatite neonatal.
  4. D) Incompatibilidade Rh.
  5. E) Pâncreas anular.

Pérola Clínica

Icterícia persistente >14 dias + fezes acólicas + colúria + BD ↑ → Atresia de Vias Biliares.

Resumo-Chave

A atresia de vias biliares é a causa mais comum de icterícia colestática em neonatos, caracterizada por obstrução progressiva das vias biliares extra-hepáticas. A tríade de icterícia persistente, fezes esbranquiçadas (acolia) e urina escura (colúria) é altamente sugestiva e exige investigação imediata para evitar danos hepáticos irreversíveis.

Contexto Educacional

A atresia de vias biliares (AVB) é uma doença rara, mas grave, caracterizada pela obliteração progressiva das vias biliares extra-hepáticas, levando à colestase e cirrose biliar. É a causa mais comum de icterícia colestática em neonatos, com uma incidência de aproximadamente 1 em 10.000 a 18.000 nascidos vivos. O reconhecimento precoce é fundamental para o sucesso do tratamento e para evitar a necessidade de transplante hepático. A fisiopatologia envolve um processo inflamatório e fibrótico que obstrui o fluxo biliar. O diagnóstico é suspeitado pela icterícia persistente (após 14 dias de vida), fezes acólicas (esbranquiçadas), urina escura (colúria) e elevação da bilirrubina direta. Exames como ultrassonografia abdominal, cintilografia hepatobiliar e biópsia hepática são utilizados para confirmação, sendo a colangiografia intraoperatória o padrão-ouro. O tratamento de escolha é a portoenterostomia de Kasai, um procedimento cirúrgico que cria uma nova via para o fluxo biliar, idealmente realizada antes dos 60 dias de vida. O prognóstico depende da idade no momento da cirurgia e da extensão da doença. Mesmo após a cirurgia, muitos pacientes podem desenvolver colangite e eventualmente necessitar de transplante hepático.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para atresia de vias biliares em um bebê?

Os principais sinais são icterícia persistente após 14 dias de vida, fezes esbranquiçadas (acólicas), urina escura (colúria) e aumento da bilirrubina direta nos exames de sangue.

Por que a detecção precoce da atresia de vias biliares é crucial?

A detecção precoce é vital para permitir a realização da cirurgia de Kasai antes dos 60-90 dias de vida, o que melhora significativamente o prognóstico e a sobrevida do fígado nativo, prevenindo cirrose biliar.

Como a atresia de vias biliares se diferencia de outras causas de icterícia neonatal?

A principal diferença é a presença de hiperbilirrubinemia direta (colestase), fezes acólicas e colúria, que não são características da icterícia fisiológica ou da icterícia do aleitamento materno, que são predominantemente de bilirrubina indireta.

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