PSU-GO - Processo Seletivo Unificado de Goiás — Prova 2025
Lactente, 65 dias de vida, vêm a consulta com história de icterícia desde a segunda semana de vida. Nasceu de parto normal, pesando 3.150 Kg e medindo 50 cm. Faz uso exclusivo de leite materno. As fezes estão esbranquiçadas e a urina encontra-se amarela. Lactente vem fazendo banhos de sol desde o início sem melhora. Ao exame, encontra-se bem nutrida, ictérica ++/++++ e fígado a 3.5 cm do RCD na linha hemiclavicular direita. O pediatra, preocupado, coletou bilirrubinas totais e frações hemograma e reticulócitos que vieram com os seguintes resultados: bilirrubina total = 7.1; bilirrubina direta = 4,1; hemograma normal e reticulócitos normais. A investigação e o diagnóstico inicial mais provável são, respectivamente:
Icterícia + Acolia + BD > 1,0 mg/dL após 2 semanas = Atresia Biliar até prova em contrário.
A atresia biliar é uma emergência cirúrgica diagnóstica; o sucesso da portoenterostomia de Kasai depende da precocidade da intervenção.
A colestase neonatal é definida por níveis de bilirrubina direta superiores a 1,0 mg/dL. Entre as causas, a atresia de vias biliares (AVB) destaca-se pela gravidade e necessidade de intervenção rápida. Trata-se de uma colangiopatia inflamatória progressiva que leva à obliteração dos ductos biliares extra-hepáticos. O diagnóstico diferencial inclui hepatites neonatais, erros inatos do metabolismo e cisto de colédoco. A ultrassonografia abdominal pode mostrar o sinal do cordão triangular, mas a confirmação definitiva muitas vezes exige colangiografia intraoperatória. O manejo inicial envolve estabilização clínica, suporte nutricional e encaminhamento imediato para centro de referência cirúrgica.
A acolia fecal (fezes esbranquiçadas ou pálidas) associada à colúria (urina escura) e icterícia persistente são os sinais clássicos de obstrução biliar extra-hepática. A presença de fezes acólicas em um lactente previamente ictérico deve sempre disparar uma investigação urgente para atresia biliar.
A colestase impede a chegada de sais biliares ao intestino, o que compromete a absorção de vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K). A deficiência de Vitamina K pode levar a distúrbios de coagulação graves e sangramentos, sendo essencial sua reposição parenteral antes de procedimentos diagnósticos ou cirúrgicos.
O prognóstico da atresia biliar está diretamente relacionado à idade no momento da cirurgia. O ideal é que a portoenterostomia de Kasai seja realizada antes dos 60 dias de vida. Após os 90 dias, as taxas de sucesso na drenagem biliar caem drasticamente devido à fibrose hepática avançada.
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